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quarta-feira, dezembro 30, 2009
À espera de 2010
Nem estrelas ou signos, roupa nova, passas ou saltos de uma cadeira para o chão. Sirvo-me de gestos mais comuns para fechar a porta a 2009 e receber de braços abertos 2010. Uma frase inspirada numa música, a organização do calendário da próxima semana, arrumar o quarto, libertar-me de excessos mentais, não ruminar em assuntos mortos. Abrir espaço na prateleira do armário da casa de banho e encher um saco com um frasco de perfume vazio, cremes fora de validade, um plástico que já não guarda lâminas de barbear, uma escova de dentes usada que não chegou a ter dono.
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segunda-feira, junho 29, 2009
Dia de folga. Sentado na minha cama de Lisboa, no meu quarto de prédios, de ruas. Na cidade nublada. A alimentar-me de vontades.
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sábado, maio 16, 2009
segunda-feira, abril 06, 2009
Chegar tarde do trabalho, dois dedos de conversa, jantar, mais dois dedos de conversa. Passar roupa a ferro, lavar casas-de-banho.
Banda sonora: Lhasa - "Going in".
"Don't you tempt me with perfection
I have other things to do"
Banda sonora: Lhasa - "Going in".
"Don't you tempt me with perfection
I have other things to do"
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sábado, março 21, 2009
Back!
São 1h15. Saio de casa e em 20 minutos estou no Incógnito (há trânsito...). Viver em Lisboa tem tanta pinta!
sábado, janeiro 17, 2009
Vida em trânsito
Há uma montanha de roupa em cima da cadeira do meu quarto e muita tralha por cima da secretária. Ontem compreendi finalmente que não vou conseguir arrumar tudo o que deveria ser arrumado, quando tocar na confusão vai ser para empacotar. O que está próximo. As mudanças - ch ch ch changes - estão aí. Vou empacotar-me para outro lado sem muitas dificuldades ou saudades, porque nunca tive jeito para saudades quando tenho a certeza que quero saltar para a frente, pelo menos saudades das situações. Quanto às pessoas, costumo saber quem quero e posso reter na minha vida, e essas não deixo fugir...
Mas há o Tejo e a viagem de comboio diária para Lisboa, que já me acompanha há mais de oito anos (com uma pequena interrupção), e ainda não sei muito bem o que fazer quanto a isso. Entro em Oeiras e saio no Cais do Sodré sempre com o Tejo a planar à minha esquerda - uma visão linda que embrulha uma mensagem de constância. Nos dias de sol o rio é de um azul esverdeado brilhante, nos dias de temporal é de um verde-escuro. Já o vi ser atravessado por nevoeiro, onde só se vê as pontas da Ponte 25 de Abril. Os melhores dias são quando há nuvens a várias altitudes intercaladas com o sol, que reflectem sombras e luz nas águas do rio e a janela do comboio passa a ser um ecrã de cinema onde há tantos pormenores para se reter, que uma viagem de dezassete minutos é demasiado pequena. O Tejo torna-me incansável, nunca me desilude.
Voltando atrás, não sei como ficar sem este momento diário. Parte de mim sabe que, felizmente, o Tejo continua e vai ser meu a partir de outro ângulo. Outra parte já começa a formular a frase "no tempo em que eu andava diariamente de comboio..." e dá uma pincelada azul à memória emocional que vou construindo desta década. Acima de tudo, acho que me contento com a dor da perda - torna o passado mais real e dá maior sentido ao futuro.
Mas há o Tejo e a viagem de comboio diária para Lisboa, que já me acompanha há mais de oito anos (com uma pequena interrupção), e ainda não sei muito bem o que fazer quanto a isso. Entro em Oeiras e saio no Cais do Sodré sempre com o Tejo a planar à minha esquerda - uma visão linda que embrulha uma mensagem de constância. Nos dias de sol o rio é de um azul esverdeado brilhante, nos dias de temporal é de um verde-escuro. Já o vi ser atravessado por nevoeiro, onde só se vê as pontas da Ponte 25 de Abril. Os melhores dias são quando há nuvens a várias altitudes intercaladas com o sol, que reflectem sombras e luz nas águas do rio e a janela do comboio passa a ser um ecrã de cinema onde há tantos pormenores para se reter, que uma viagem de dezassete minutos é demasiado pequena. O Tejo torna-me incansável, nunca me desilude.
Voltando atrás, não sei como ficar sem este momento diário. Parte de mim sabe que, felizmente, o Tejo continua e vai ser meu a partir de outro ângulo. Outra parte já começa a formular a frase "no tempo em que eu andava diariamente de comboio..." e dá uma pincelada azul à memória emocional que vou construindo desta década. Acima de tudo, acho que me contento com a dor da perda - torna o passado mais real e dá maior sentido ao futuro.
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quinta-feira, outubro 30, 2008
quarta-feira, setembro 10, 2008
Saltei da cama, desci as escadas, mordi uma pêra e fiz uma tosta de fiambre, sem manteiga. Superei-me à insónia e pretendo continuar assim, a superar todos os dias... Quando voltar para a cama quero dormir para descansar, mas, sobretudo, para acordar amanhã fresquinho e fazer, fazer, fazer. Está decidido - fazer, para que os dias não pareçam mais pequeninos do que já são.
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quinta-feira, maio 22, 2008
Escalas
Há uns dias estive quase para pôr um red square no blog. Mas com a idade aprendi que as boas decisões vêm com o tempo, com um cérebro oxigenado (e não o cabelo, ok!?) e sem precipitações. Por isso o 5 years tem andado parado, mas está a voltar devagarinho, aos soluços. Daqui a bastante tempo, tudo isto vai parecer apenas um repouso e não uma ausência. É uma questão de escalas...
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sexta-feira, maio 09, 2008
Night tale
Finjo estar impávido enquanto tento perceber porque é que o meu corpo treme. Assusto-me por sentir o que já não sentia há algum tempo. É ameaçador, deixa-me vulnerável, surpreso. Quando me levanto recuso o teu olhar. O pequeno sinal que dou é a minha mão que fica presa ao assento onde estás, enquanto o meu corpo balança para a frente. Saio do autocarro para uma chuva miudinha. Olho para ti através do vidro num gesto cobarde, mas desta vez és tu que negas com justiça a minha tentativa.
À medida que avanço no caminho para casa o tremor abandona-me na mesma proporção que a chuva aumenta. Olho para cima para enfrentar os pingos que batem com mais força. Sustenho a respiração e agarro-me à coragem que não tive e que continua a escapar-me.
Lanço-me inevitável numa corrida desesperada em direcção a casa, desculpo-me com a minha garganta arranhada, não posso ficar doente. Fujo de uma molha, de um autocarro, dos meus sentimentos e questões. Nego-me duplamente e sinto uma angústia bater ao de leve, a afagar-me a face enquanto entro no prédio.
A angústia já se transformou em dor quando abro a porta de casa. Ponho a mala na sala escura e venho para aqui. Ligo o computador, entro no blog e desfaço-me destas memórias enquanto acabo de escrever este post - o terceiro momento de cobardia da noite.
À medida que avanço no caminho para casa o tremor abandona-me na mesma proporção que a chuva aumenta. Olho para cima para enfrentar os pingos que batem com mais força. Sustenho a respiração e agarro-me à coragem que não tive e que continua a escapar-me.
Lanço-me inevitável numa corrida desesperada em direcção a casa, desculpo-me com a minha garganta arranhada, não posso ficar doente. Fujo de uma molha, de um autocarro, dos meus sentimentos e questões. Nego-me duplamente e sinto uma angústia bater ao de leve, a afagar-me a face enquanto entro no prédio.
A angústia já se transformou em dor quando abro a porta de casa. Ponho a mala na sala escura e venho para aqui. Ligo o computador, entro no blog e desfaço-me destas memórias enquanto acabo de escrever este post - o terceiro momento de cobardia da noite.
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domingo, março 02, 2008
Nunca senti tamanha resistência para fazer a merda de um trabalho. É aflitivo!!!
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Apocalipse doméstico
As pequenas coisas da vida são por exemplo, torradas com manteiga ao pequeno-almoço. É por isso que soa a catástrofe quando nos acordam e no meio da conversa dizem "A torradeira estragou-se.", este tipo de frases são os verdadeiros arautos do apocalipse...
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segunda-feira, fevereiro 25, 2008
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Pássaros
Amanhece. Oiço os pios-pios-pios e os taques-taques-taques de pássaros a trautearem e a caminharem no telhado. Há dias em que me deixam irritado por não conseguir dormir, outros dias relembram-me a necessidade e o conforto de uma casa em oposição ao "lá fora" frio e agreste. Noutras manhãs são a certeza agradável de que o mundo está vivo, que acontece quer eu esteja a dormir ou não, perdido no meu cérebro humano.
Fico a ouvi-los em sossego, um ruído íntimo a dois metros de distância, com um telhado pelo meio que separa olhares, milhões de anos de divergência evolutiva e muito mais... Tenho sempre a tentação de saltar da cama, abrir a clarabóia e olhá-los de perto. Nunca o fiz, sobrepõe-se a vontade de deixar a natureza estar.
Fico a ouvi-los em sossego, um ruído íntimo a dois metros de distância, com um telhado pelo meio que separa olhares, milhões de anos de divergência evolutiva e muito mais... Tenho sempre a tentação de saltar da cama, abrir a clarabóia e olhá-los de perto. Nunca o fiz, sobrepõe-se a vontade de deixar a natureza estar.
