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segunda-feira, outubro 26, 2009
A vida vai tornando-se irrevogável. Com traços, riscos precisos, balas. A realidade sucede-se sempre com uma capacidade espantosa de reinventar o que é inviável. Quando olhamos para as nossas duas mãos, uma está a sangrar as perdas e a outra a agarrar-se aos ganhos. Nunca sabemos muito bem como é que chegamos ao final do dia sem nos termos despenhado. Principalmente quando se sabe identificar os motivos de cada ferida. Vamos correndo e arrancam-nos pedaços de carne ao mesmo tempo que colocam outros. Parece que a vida já não se reconhece na generosidade de oferecer-nos nada sem ser como resposta à culpa de nos ter tirado forças. Vivemos em perda e, pior, esquecemo-nos de que um dia a morte tornará tudo definitivamente inviável.
terça-feira, outubro 06, 2009
Viver com a perda numa cidade cinzenta. Talvez chorar. Talvez deixá-la morar dentro de nós e florescer em feridas que saram com a ajuda de raios de sol fugidios. Abandonar as crostas, transformá-las em rugas que servem as emoções. Que nos tornam mais belos na tristeza e mais vivos quando nos rimos. Abandonar dois terços da juventude sem olhar para trás e recuperar a que nos resta nos passos solitários que damos, nos momentos em que só a cidade sabe de nós.
quinta-feira, junho 19, 2008
Em última instância não é a morte, é a velhice. A tardia, que é muda por fora e por dentro. Que não nos deixa gritar. Que nos faz ter medo de adormecer, sem nos apercebermos que a diferença em estarmos acordados não é assim tão grande.
Ou se calhar percebemos... mas continuamos a vomitar uma vontade de estar mesmo que isso tenha muito pouco de ser.
Ou se calhar percebemos... mas continuamos a vomitar uma vontade de estar mesmo que isso tenha muito pouco de ser.
quinta-feira, setembro 20, 2007
A prova acabada que não existe deus
Morremos e as nossas unhas continuam a crescer. Idiotas! Que pensam elas? Que vão enterrar-se até à superfície? Que fogem da vergonha?
Prefiro ser queimado.
Prefiro ser queimado.
quinta-feira, abril 19, 2007
O desânimo dos justos*
“Chega!” - disse ela - “Não quero mais.”
“Não quero mais a manta.”
“Não quero mais o exercício.”
Não quero mais viver?
* O desânimo justo.
“Não quero mais a manta.”
“Não quero mais o exercício.”
Não quero mais viver?
* O desânimo justo.