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sábado, outubro 29, 2011

Rádio Amália

Saí da noite e entrei no táxi. De fora deixei o fumo do tabaco e as luzes interiores e sentei-me na Lisboa já amanhecida. A Lisboa do fado na rua e do Tejo azul, da feira da ladra e do movimento de sábado. Entrei sozinho na manhã com a mesma certeza com que entrara sozinho na noite. Com a premonição do tempo. Contínuo, imparável. E atravessei a cidade ainda escura imerso no devir. Em direcção a casa. Adiantado. Fui acompanhado pelo suceder de vozes, pela guitarra portuguesa. Ainda de noite na manhã da rádio Amália.

domingo, janeiro 10, 2010

Song for a cold day

"I will never have the courage of others,
I will not approach you at all,
I was always taught to worry about things,
All the many things you can't control." *


* Midlake, "The Courage of others".

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Não conheço as suas canções e talvez sejam os arranjos, a voz de mulher, whatever. A "Tower of Song" do Cohen renovou-se com a Martha Wainwright a cantar. E eu diria que voltei aos meus 13 anos quando ouvia ininterruptamente o "I'm Your Man", mas não é bem isso. É um apelo diferente, uma canção nova com uma letra antiga.

segunda-feira, novembro 30, 2009

domingo, novembro 29, 2009

"I can give it all on the first date I don't have to exist outside this place."

Basta desfazer-me de um pouco mais de humanidade e a pureza dos The XX deixa de me incomodar.

sexta-feira, novembro 13, 2009

O melhor berro da pop na última década

"Je t’aime the valley
Je t’aime the valley OH!!!
I am an orphan de la valley
And I won’t rest until I forget about it
I won’t rest until I don’t care
LA LA LA LA LA LA LA"

Não é "oh!!!" é AAAARAHHHHHHH!!!!!!!!!!. Expludam-me contra uma parede, por favor.

quinta-feira, novembro 12, 2009

Queria ser figurante deste filme e gritar "I can Hardly Wait" *

"Lips cracked dry
Tongue blue burst
Say angel come
Say lick my thirst
It's been so long
I've lost my taste
Here Romeo
Make my water's break"

* O "Strange Days" é só pérolas, a Juliette Lewis a cantar PJ Harvey é uma delas.

quarta-feira, novembro 11, 2009

Ainda os Elbow

"I can work till I break but I love the bones of you. That, I will never escape."
Só agora reparo no piscar de olhos ao "Summertime" que se ouve no final do "The bones of you", dos Elbow.

Mellow

segunda-feira, novembro 02, 2009

Não é para fugir ao frio...

... é só um contraponto mental. Um festim.

quinta-feira, outubro 29, 2009

Fartei-me dos piscares de olho, das cumplicidades, das partilhas de pensamentos brilhantes. Não tenho nada de novo para dizer, não trago nenhuma inovação na forma de mastigar referências. "Chiclete mastiga, chiclete deita fora." Não era isso que os Taxi diziam? Acertaram.

quarta-feira, outubro 28, 2009

Não é na sala vermelha do Lynch que eu quero ficar. Paro antes no salão onde Julee Cruise costuma cantar o seu "The Nightingale" e troco a música. "Oh I buried you today" arranca um duo qualquer. Sento-me a ouvir a melodia rápida e triste de um amor morto, na companhia de uma bebida e de outros espectadores com olhos vidrados de quem tem o coração ainda mais solitário. "I know a heart is hard to please when love fades" continuam as duas vozes, sem ligar a uma luta, a um amor escondido, a uma bela rapariga cheia de mistérios que foi morta. Consigo evitar que a minha atenção se disperse na mesa que tomba, na faca que sai do bolso de alguém, abstenho-me em ler os sinais de todo o horror que está subjacente à cena e sigo atento os lábios da cantora e do cantor compenetrados a contarem a sua história. "But my heart was on fire, but now I cry" terminam as vozes antes do final da música. Eu acabo a bebida, levanto-me e saio porta fora para um cruzamento escuro, deserto, onde o vento sopra e os semáforos abanam.

sábado, outubro 24, 2009

Eu sei que a música e o vídeo já têm seis anos e eu devia colocar o "Last Dance", o single do novo álbum dos The Raveonettes. Mas adoro a música, adoro o som do início que parece um grito desenfreado. Além disso acho o "Last Dance" meio meh. Se o próximo single for o "Bang!", o "Boys Who Rape (Should be Destroyed)" ou o fabuloso "D.R.U.G.S." - três das músicas que tornam o "In and Out of Control" obrigatório - então prometo colocar aqui. De resto, o que eu gosto nesta banda é a mescla entre um lado dark e outro mais luminoso e o "That Great Love Song" tem isso tudo.

segunda-feira, outubro 19, 2009

Spoon para arrancar com a semana


"And I got nothing to lose but
Darkness and shadows
Got nothing to lose but
Emptiness and hang-ups"*

* "Got nuffin"

domingo, outubro 18, 2009

Era uma Time Machine que eu queria. Daquelas em formato pod, brancas, bem kubrickianas que funcionasse à base de um botão vermelho e um pensamento-desejo. Saltava para uma praia deserta dos 50's com o mesmo gosto que tenho andado a ouvir The Drums, The Raveonettes ou Washed Out. A culpa é deles, das suas sonoridades laid back, das minhas obsessõezinhas e deste sol. Este sol!!! O que é que se faz com este sol? Só me vem à mente pranchas de surf, areia e o mar.

segunda-feira, outubro 12, 2009

Deu-me para isto

Devia citar o vídeo, que segundo a Pitchfork é do Chase Heavener. Mas o que me interessa é a música: "Feel it all around" de Washed Out, que é Ernest Greene. "Hypnagogic pop", reminiscências dos anos de 1980, I don't know. Com o calor que está lá fora, sabe estranhamente bem. Eu, que não me via a ouvir synth pop, estou rendido, mesmo que isto seja febre passageira e que nunca mais se vá falar sobre o senhor.

quarta-feira, outubro 07, 2009

New band in town

Para quem ainda não reparou, os "The Drums" ouvem-se com a mesma vontade com que se apanham os últimos raios do sol do Verão. Principalmente quando o Outono já se instalou.

domingo, outubro 04, 2009

Quando saí do Incógnito e entrei no domingo, levava comigo o "The Lucky One" das Au Revoir Simone. Antes tinha sido o "Sunday Morning" dos Velvet Underground e o "White Rabbit" da Jefferson Airplane. Subi o Combro sozinho, entre o nevoeiro e as vozes afastadas, a pensar que esta noite já ninguém me tirava.

quinta-feira, outubro 01, 2009

Hoje teclo ao som dos Broken Social Scene para deixar aflorar em mim o tempo outonal. Não tanto pela perda ou nostalgia, mais pela reclusão através do meio sorriso. Não é uma rejeição da alegria, é só um resguardo de um copo um terço cheio para deixar, calmamente, voltar a encher.