Mostrar mensagens com a etiqueta Memórias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Memórias. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, setembro 04, 2008

"Two fists of solid rock with brains that could explain any feeling"

Com o "My Blueberry Nights" voltei a ouvir o "The Greatest" da Cat Power como se fosse a primeira vez. Apaguei da minha memória emocional aquele mau concerto de Novembro de 2006 e a figura infeliz dela. E é como se de novo, a voz grave e letárgica da Chan Marshall viesse das profundezas de uma noite esquecida e me salvasse da angústia e a trocasse por nostalgia.

A voz da Cat Power é de alguém que já viveu coisas muito piores do que nós e só tem oportunidade de resgatar a pureza do mundo e de si própria quando canta.

"Once, I wan ted tobe the grea teeesst.. .. ... ...

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Smile like you mean it

Enquanto as bandas vêm e vão, enquanto aparecem, tranformam-se num hype e afundam-se nele, nós vivemos. Nós seguimos a nossa vidinha, vamo-las ouvindo, vamo-nos acontecendo nas músicas delas. Passado uns anos, quando voltamos àquela canção, não conseguimos resistir ao impulso da nostalgia, de nos fixarmos nos momentos que essa música ajudou a fabricar. E se sorrirmos com as recordações, queremos sorrir como o Brandon Flowers diz, "Smile like you mean it".

Hoje, com os The Killers, lembrei-me de 2005. Não sorri com medo de falhar.

quarta-feira, novembro 21, 2007

"Wake up this morning"

E na madrugada em que completo 25 anos lembro-me da vontade e da urgência com que fiz os 22... Sinto uma nostalgia que o 11:11 do Rufus (in loop) não me deixa esquecer, embrenhada nas simetrias internas com que a vida nos respira. A ponta de solidão a mais contrapõe com o que se viveu. É aproveitar o momento. Daqui a pouco deito-me, adormeço e acordo com o mundo a girar.

domingo, novembro 04, 2007

Wise me up, people

Back then, quando o tempo passava mais lentamente, o cabelo estava menos branco e havia muito futuro por acontecer, as vossas certezas e discurso seriam certamente diferentes. Eu, em poucas semanas, atingirei essa data emblemática do quarto de século, o vosso "back then".
Por isso proponho um quizz para animar o blog e para quem tiver paciência. Façam uma introspecção rápida, ou uma regressão lenta, aquilo que vocês quiserem. Tentem lembrar-se de como eram com 25 anos e escrevam:

- Uma certeza que tinham na altura e que hoje em dia discordam completamente.
- Uma certeza que continua convosco.
Certeza- Opinião forte e vincada sobre a vida, o universo e tudo mais; opinião de carácter permanente; definidor de personalidade

Muito obrigado pela contribuição. De certeza que vão iluminar os 365 dias que se me avizinham...;)

quarta-feira, setembro 19, 2007

Olhei para o lado. Ao longe a rua descia, o taxi não me deixou focar muito tempo o ponto mas foi o suficiente. Mentalmente fixei-me na curva que já não se via, na vegetação densa que já não existia, no fim de tarde quente em que o meu irmão me ensinou a andar de bicicleta naquela rua. Era um entardecer de Primavera, daqueles em que o sol estava prometido para o dia seguinte.

Em Setembro, tenho saudades de Maio.

terça-feira, julho 24, 2007

Música, adolescência e os 90's


Os meus anos 90 não foram os do Grunge, foram outros. Lembro-me da morte do Kurt Cobain ainda ia eu no meu longínquo 6º ano - cheio de correria e de simplicidade. A morte do vocalista dos Nirvana não me pôs a chorar nem retirou a minha fé na humanidade como fez ao Nate Fisher - soou somente distante mas com a necessidade real de um "A sério?", como tinha ocorrido três anos antes com a morte do vocalista dos Queen - esta bem diferente, mas que eu, na minha inocência dos 11 anos, tinha posto tudo no mesmo saco.

Os anos 90 foram correndo, e só três anos mais tarde, já afagado pelos sobressaltos da adolescência é que me veio parar à mão uma cassete gravada (ah, esses tempos...!) do Nevermind. A voz do Kurt Cobain entrou finalmente no meu quarto, mas sejamos honestos, com muito menos impacto do que uma Alanis Morissette ou do que um Leonard Cohen (a primeira tornou-se alvo de obsessão com o seu Jagged Little Pill, o segundo pus para contrabalançar e não mostrar só o meu lado semi-piroso de pré-adolescente).

Isto tudo porque, à conta do último álbum de família da radar - o In Utero, dos Nirvana, não pude deixar de pensar no facto do Grunge me ter passado ao lado, embora tenha tocado de perto muito boa gente da minha idade e que me rodeava. A minha energia teenager iria encontrar outra fonte de obsessão e de descoberta, que me deu para horas de reflexão, de olhar vítreo e de admiração extraordinária.

Estava a meio do secundário, quando a proximidade da produção de uma peça de teatro chamada "Cowboy Mouth", de Sam Shepard, veio tirar o pó a uma data de discos de vinil antigos que pertenciam aos meus irmãos, nomeadamente do David Bowie, e ao gira-discos que existia cá em casa. A iconografia só por si já valia a pena, mas toda aquela música do princípio dos anos 70, associada ao Glam rock, veio tocar no nervo certo. Foram dois ou três anos a descobrir a discografia do Bowie (que não parou, para bem da minha sanidade mental, no Glam), outros autores da geração, a onda neo-glam com os Placebo e os Suede e o Velvet Goldmine - o filme mítico de Todd Haynes. Passei o 12º ano a estudar para os exames e a ouvir os vinis do Bowie, lembro-me das noites frias de Inverno (valentes frieiras que apanhei nesse ano!), a parar o estudo, ir até ao gira-discos, virar o disco, pôr play, acertar agulha e começar a ouvir - "This ain't rock'n'roll. This is genocide!", Diamond Dogs in loop - how cool is that?

sexta-feira, maio 11, 2007

Perguntei ao Rio Tejo...

... se não nos tinha tirado uma fotografia. Éramos um pormenor no meio da cidade, no meio de muitos miradouros e esplanadas. Mas condensávamos a beleza de Lisboa no nosso olhar. Fazíamos parte dela.
Envolvo-me na memória, na alegria e na saudade dessas horas. Se o Tejo não me responder, tenho a certeza que o sol de Maio guardou o momento. O sol de Maio nunca me falha...

quinta-feira, maio 10, 2007

Desaceleração: corredores e memórias

Fico à espera dos segundos certos.

Das matizes de uma noite contidas num momento.

Do aroma destilado do convívio.


Gosto da meia-luz, do que falta por descobrir e de repente se torna claro, do que sempre tive como certo e de repente foge para o reino da dúvida.

Encontro nos corredores por onde passamos o contexto da situação. Afinal, é tão inebriante estar como ser.

E já agora, sorriam, estão a ser fotografados!

quarta-feira, março 07, 2007

As escadas

Eram exteriores, de incêndio e iam até ao terraço. O motivo nunca era o café ou o tabaco, essas foram sempre as desculpas. A caminhada até ao final do corredor era sedutora, depois abria-se a porta, que por razão nenhuma se deixava fechar e lá estavam: as escadas. Eram impessoais, de metal, frias, um imaginário que acabava ali - no propósito objectivo da sua função, para subir, para descer. Mas naquele patamar onde a subida tinha início havia mais: um balde branco de plástico (um banco excelente), os tabaqueiros a crescerem, beatas por todo o lado, alguém a requerer a privacidade de um telefonema, um fumador ausente, memórias de pessoas, memórias de memórias...
Os três reuniam-se aí: depois do café da manhã, do almoço, à hora do cigarro da tarde, ou nas muitas vezes em que a vontade não deixava esperar pelo encontro horário. Trocavam-se conversas, revelavam-se segredos, forjavam-se planos com a garantia certa que passado cada dia aquele espaço ganhava uma áurea maior de intimidade, ao mesmo tempo que, paradoxalmente, se aproximava o momento da partida.
Viveram os melhores momentos daquelas escadas no último Verão, durante o café da manhã. A certeza de um dia soalheiro e longo, os momentos de pausa a seguir a uma revelação, a transpiração da juventude que sugere tudo: até a promessa da sensação eterna de se estar vivo.