segunda-feira, outubro 29, 2007

Dois cobertores e um edredon de penas por cima dos meus sonhos até à próxima mudança de hora.

segunda-feira, outubro 22, 2007

"You can't take a picture of this. It's already gone."

- Nate Fisher, Six Feet Under

quinta-feira, outubro 11, 2007

Alcançar a imortalidade na Cidade Universitária

As conjunturas energéticas dos espaços são um assunto a discutir noutro post, mas as empatias que cada um desenvolve com cada local são pessoais, intransmissíveis e verdadeiras. Eu, cada vez que saio na estação do Metro da Cidade Universitária sou tomado por uma fúria de viver racionalista, positivista, humanista e outros "istas" da mesma estirpe... Não consigo evitar nem quero. Gosto do tom claro da estação, gosto do abertura da gare e do hall por cima, gosto do corredor que dá acesso à Aula Magna sempre percorrido por uma corrente de ar que me grita: "Sobe as escadas e vive!". Mas tudo isto seria insignificante se não fossem as duas citações que me acompanham sempre que desço ou saio daquele pedaço de terra:

"Não sou ateniense nem grego, mas sim um cidadão do mundo."
Sócrates (470 A.C. - 399 A.C.)

"Se eu não morresse nunca! E eternamente buscasse e conseguisse a perfeição das coisas!"
Cesário Verde (1855 - 1886)

Fixo-me agora na segunda frase e na notícia que veio no Público de terça-feira relacionado com o Nobel da Medicina intitulado "Um dia vamos conseguir viver até aos 120 anos?". Nesta notícia fala-se de potenciais novas técnicas terapêuticas que poderão permitir-nos esticar a vida mais um pouco. Penso imediatamente no conceito de imortalidade, ideia que me seduz cada vez menos. Mas ao mesmo tempo revejo-me mentalmente a caminhar lado a lado com cada letra da frase de Cesário: "E e t e r n a m e n t e b u s c a s s e e c o n s e g u i s s e a p e r f e i ç ã o d a s c o i s a s!". É um objectivo de vida do tamanho das estrelas em que tenho mais gosto pelo "buscasse" do que pelo "conseguisse", mas é o "eternamente" que me dá o ardor na garganta. A ideia da busca pessoal e eterna pelo "melhor", no contexto universal de Sócrates, põe-me um sorriso na cara qualquer que seja a hora em que atravesso aquela estação.

terça-feira, outubro 09, 2007

Uma horinha investida no blog: acrescentar tags a posts antigos, reciclar tags para aumentar a coerência. Ainda não está perfeito, mas como acredito no processo...:)

segunda-feira, outubro 08, 2007

O Capacete Dourado

Echo And The Bunnymen - Ocean Rain

All at sea again

And now my hurricanes have brought down this ocean rain
To bathe me again

My ship's a sail
Can you hear its tender frame
Screaming from beneath the waves
Screaming from beneath the waves

All hands on deck at dawn
Sailing to sadder shores
Your port in my heavy storms
Harbours the blackest thoughts

As margens da fotografia fazem fronteira com a memória. Nela, afundas-te e expandes-te. Ouves os sons que no papel não vês, ouves a memória das vozes da juventude. Voltas a sentir o cheiro dos dias e das noites em que sonhavas com outro amanhecer...

O filme O Capacete Dourado está no cinema. Uma versão dos Ocean Rain dos Echo and the Bunnymen pode ser ouvida aqui.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Sobre o frio

- Tens frio?

Disse-lhe que sim, que tinha. Que o frio era uma constante no meu calendário. Iniciava-se por meados de Outubro e só abrandava nos últimos dias de Abril. Acrescentei ainda que a idade avançava e o número de dias sem frio era cada vez menor. Do que se concluia que no ano em que passasse o Verão com frio tinha oficialmente chegado à velhice...

- Tudo isso!? – respondeu-me com um ar admirado. - E o Aquecimento Global, não te anima?
- Zero. Antes pelo contrário, cada vez que ouço falar no dito percorre-me um arrepio na espinha!

quinta-feira, outubro 04, 2007

Sputnika-me!


A Era Espacial começou há 50 anos! Hoje sonhamos com Marte, mas naquela altura um satélite no ar a fazer beep beep para a Terra foi um salto gigante para a Humanidade. A ex URSS deu o pontapé de saída com o Sputnik. Menos de um mês depois, a 3 de Novembro de 1957 o Sputnik 2 sai disparado, agora com um animal. Pobre Laika...
Post patrocinado por Astronomy Picture of the Day!

quinta-feira, setembro 27, 2007

Proibira-se dos voos directos. Assustava-se com o Second Life e tinha-se apaixonado pelo Google Earth. Fazia todas as viagens por etapas, com escalas, paragens, descansos. Decidira há muito que os destinos só por si eram insuficientes, irreais. Que na palavra ida havia quilómetros de ar, terra, árvores e pessoas, que cada uma podia ser um lugar e uma chegada, que todo o futuro estar é definido por um ir. Desprezava as pessoas que formavam um mapa mental do mundo através de pontos isolados e perdia-se nos relevos mais ou menos detalhados do Google Earth, acrescentando sempre que podia fotografias de locais por onde tinha passado. Ficava angustiado quando entrava numa auto-estrada e olhava para a paisagem a passar, rápida, terrível. Percorria-lhe a dúvida de tudo ser um cenário virtual e só sobrevivia à experiência com a ilusão de que um dia todo aquele terreno iria ser palmilhado pelos seus pés...
Cheguei à horrível conclusão que se me pusesse a ver todas as séries que estão actualmente available na televisão não fazia mais nada. Vou enriquecer, comprar os dvds e vê-los todos na reforma!

sábado, setembro 22, 2007

Something always change

A tectónica de placas é uma teoria recente, não tem mais de meio século e é para a Geologia o que a teoria de evolução de Darwin é para a Biologia. É tão abrangente que explica sismos, vulcões, o ciclo das rochas, a formação de ilhas, de montanhas, de mares, de oceanos, de tudo. É uma teoria complexa, com algumas pontas soltas, em desenvolvimento e fascinante.
Em linhas muito gerais, defende que a crosta terrestre é formada por placas continentais e oceânicas que se movem devido ao calor interno da Terra e à produção e destruição de crosta nas extremidades das placas.* Com esta teoria percebeu-se que os continentes já estiveram pegados num super continente chamado Pangéia e adivinha-se que voltarão a estar juntos daqui a 250 milhões de anos, como a fotografia acima mostra.

Mirem com atenção e podem ver Portugal no Pólo Norte. Tenho sérias dúvidas de que algo parecido com a humanidade ainda exista, mas ainda assim, se miraculosamente conseguirmos entrar numa autogestão ascendente de espécie, está garantido que a Terra vai oferecer-nos momentos hilariantes de natureza geológica. Teremos um futuro cheio de mudanças geopolíticas...

Este é mais um post patrocinado por Astronomy Picture of the Day!

* A minha explicação da tectónica de placas é assumidamente pobre. Quem quiser saber mais, dê um salto aqui.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Estou a entrar numa fase interpoliana da minha vida, contudo, recuso-me a vestir de preto!

quinta-feira, setembro 20, 2007

Somos todos os mesmos. Olhamos para nos olharmos.

A prova acabada que não existe deus

Morremos e as nossas unhas continuam a crescer. Idiotas! Que pensam elas? Que vão enterrar-se até à superfície? Que fogem da vergonha?

Prefiro ser queimado.

quarta-feira, setembro 19, 2007

À beira de um home-depressing moment, vou ver as estrelas para Lisboa. :P
Olhei para o lado. Ao longe a rua descia, o taxi não me deixou focar muito tempo o ponto mas foi o suficiente. Mentalmente fixei-me na curva que já não se via, na vegetação densa que já não existia, no fim de tarde quente em que o meu irmão me ensinou a andar de bicicleta naquela rua. Era um entardecer de Primavera, daqueles em que o sol estava prometido para o dia seguinte.

Em Setembro, tenho saudades de Maio.

domingo, setembro 16, 2007

Sim, é verdade, estavam dois caracóis a dar uma queca no Incógnito

A rentrée.

Não foi o começo das aulas ou do trabalho, nem as folhas caídas das árvores. A minha rentrée foi definida pela ida a locais conhecidos, nocturnos, com música e gente bonita, com amigos e conversa boa. As noites de sexta e sábado foram isso mesmo. Palmilhar ruas tantas vezes palmilhadas, atravessar portas antigas, respirar ambientes familiares, falar desbragadamente sem medo das paredes que por esta altura já ouviram todos os nossos segredos.
Por tudo isto, sexta e sábado acabaram no Incógnito. Onde mais? Descer a rua, à esquerda, uma porta preta, uma troca de "boas noites" e um sorriso. Do lado de lá, um espaço vermelho e negro com a música certa para os ouvidos. Sexta o local estava mais cheio e com pior música, mas sábado, foi a melhor visita dos últimos tempos. Dançar até morrer - a melhor rentrée...:)
Mano, quando é a próxima? ;)

segunda-feira, agosto 27, 2007

Por onde vou passando

Fui. Vim. Vou e hei-de vir para tornar a ir e finalmente voltar e ficar. Nos intervalos fui deixando. Deixei de estar, de pensar, de arrumar, de postar, de fazer. Fui me deixando aos poucos, em metades, por onde ia passando. Correndo o risco de acabar num ponto infinitamente pequeno no meio da minha memória, do meu passado e futuro.


Volto em Setembro com a vã esperança que depositamos em todos os Verões, voltar renovado.

terça-feira, agosto 14, 2007

Como se tem falado muito de marinheiros por aqui...


... aqui vai o meu marinheiro favoríto.

Adorava saber se está a chover em Paredes de Coura...

quarta-feira, agosto 08, 2007

Smile and wave...

... or the 3 new Ss - simplicity, spontaneousity and stupidity

... or "really? no joking!?..."

Fighting for a new me. Mode on.

Aqui mandó marinheiro

Obrigado pelas palavras da outra noite STOP Significaram muito STOP É sempre um prazer esbarrar contigo por essas noites fora STOP A sério STOP Keep in touch STOP :) STOP

segunda-feira, agosto 06, 2007

O mundo cosmopolita do século XXI está patente na minha sala. A antiga empregada cá de casa, Angolana, acabou de entrar para visitar a minha avó, Portuguesa, e deu um beijinho à actual empregada que temos, originária da Geórgia. Neste momento estão todas em amena cavaqueira. Resolvi fugir da sala, corria o risco de me emocionar com tanta modernidade junta! Aqui, posso escrever estas linhas e continuar a ouvir os risos delas...

The National - Sudoeste

Dois problemas:

O Matt Berninger estava demasiado bêbado.
Eu estava demasiado consciente.

sexta-feira, agosto 03, 2007

Eu que me estou sempre a cortar...


... de ir ao Porto, por estupidez assumida, desta vez é que é! :)

Dali no Palácio do Freixo, 250 obras!

Via Gelado de Groselha.





Não ando à procura de uma experiência espiritual, mas descortinar linha a linha oitocentas e muitas páginas sobre Alexandria - onde o pó, o suor e os corpos são imagens que afloram recorrentemente à cabeça, em pleno Agosto, no meu sótão, sob o risco de desidratar, ter febres e delirar, pode muito bem acabar nisso...:P

Recomeçar,


agora com tempo e espaço, em Inglês. Para absorver cada frase, para me inundar em fragrâncias, para me submeter às obsessões de Durrell. Durante o tempo que for necessário...

quinta-feira, agosto 02, 2007

Sinonímias

O dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (O que estava mais à mão, do meu lado direito. Tinha olhado primeiro para o Priberam mas pareceu-me pobre), diz que:

Snobismo: 1 atitude de quem despreza o relacionamento com gente humilde e imita, geralmente de maneira afectada, o gosto, o estilo e as maneiras de pessoas de prestígio ou alta posição social, e/ou assume ares de superioridade a propósito de tudo. 1.1 sentimento de superioridade exacerbado. 1.2 gosto excessivo, geralmente afectado, pelo que está na moda, inclusive trivialidades.

Elitismo: 1 liderança ou domínio por parte de uma elite 2 crença na legitimidade dessa liderança ou domínio e defesa dos seus valores e prerrogativas 3 consciência de ser elite ou membro de uma elite 4 descriminação social e/ou cultural que resulta do elitismo // política que visa antes de tudo à formação e selecção de uma elite intelectual, de sentido pejorativo.

(Sendo elite: 1 o que há de mais valorizado e de melhor qualidade, especialmente num grupo social 2 minoria que detém o prestígio e o domínio sobre grupo social.)

Superioridade: (o 1 e o 2 não estão dentro do contexto) 3 característica do que se julga melhor do que os outros.

Isto tudo devido a uma conversa mais ou menos acesa acerca dos conceitos acima, do que se é e do que não se é, daquilo que é legítimo ser, daquilo que é horrível ser-se... Onde acaba o direito de escolher e começa o comportamento elitista? quando é que se passa a ser snob? quando é que a superioridade acaba por descambar no desrespeito? quando é que atravessamos a linha ténue de mostrar uma opinião para passarmos a impor essa opinião? Como nos comportamos relativamente ao mainstream? A discussão esteve sobretudo focada na música, mas foi bater a outras portas...

quarta-feira, agosto 01, 2007

Este moço,


... tem um novo álbum agendado para 25 de Setembro, chamado Smokey Rolls Down Thunder Canyon, desta vez Devendra Banhart até canta em Português. Passei pelo myspace dele para ouvir o que nos espera e não há dúvida, o senhor continua a produzir material bom. Recomenda-se o tema Tonada Yanomaminista (alguém me traduz o significado?!). Todas as sextas-feiras ficam disponíveis duas músicas novas, até o álbum sair. Por isso, aproveitem!

Campismo e arredores

Foram os detalhes que me chamaram a atenção. A mão que segurava no corpo esguio do copo de vinho branco, o cabelo grisalho do homem sentado no sofá da sala, as calças que terminavam nos pés descalços que não tocavam no chão, o galgo deitado com o ar reverente dos galgos, a tarde a pôr-se... A sala estava a meia luz, não percebi se o homem estava a olhar cá para fora ou para algum objecto no outro extremo da pequena sala. Mas o conjunto pareceu-me irreal, no meio das centenas de casas brancas de contraplacado, cheias de famílias - Pai, Mãe, Avós e Netos envolvidos em barulhos e cozinhados, aquele homem era a antítese do parque. Naquela esquina a vida era temperada de outra forma, o tempo trabalhava a favor, o dia estava cheio de rituais e respirações. O homem tinha outro ritmo, a sabedoria parecia estar do lado dele.


Os parques de campismo são um caldo rico para qualquer observador. Passei o fim-de-semana passado a fazer campismo virado para o mar. Mas em terra não pude deixar de notar no universo denso que a vida de um parque de campismo constrói. Este foi apenas um pormenor.
Relembrem-se de um Verão qualquer dos anos 70, falo dos anos 70 porque não estava vivo. Por isso posso recordar de uma forma cristalina as sensações que quero. Dos filmes, das iconografias, das longas imagens de uma praia quente, com tons pálidos mas preenchida por sensações cheias. Onde a cor e o preto e branco se misturam criando um mood único. O "Lust" dos The Raveonettes pôs-me assim, nostálgico por esse Verão dos anos 70. Ou será que foi dos anos 60? Não sei. Entretanto, fico à espera do novo álbum da banda.