
terça-feira, maio 29, 2007
terça-feira, maio 22, 2007
Physical Breakdown...
... ou o Super Bock* tem quatro dias e eu vou a três.
28 de Junho
Metallica (22h45 - 01h30)
Joe Satriani (20h50 - 22h05)
Stone Sour (19h40 - 20h30)
Mastodon (18h20 - 19h10)
Blood Brothers (17h30 - 18h00)
More Than A Thousand (16h45 - 17h15)
Men Eater (16h00 - 16h30)
Este belo verde-alface-estridente indica que: "couldn't care less".
Passemos ao que importa:
3 de Julho
Arcade Fire (00h00 - 01h30)
Bloc Party (22h25 - 23h40)
The Magic Numbers (21h05 - 22h05)
Klaxons (19h45 - 20h45)
The Gift (18h35 - 19h25)
Bunnyranch (17h30 - 18h15)
Banda Pre-Load (17h00 - 17h15)
Descansa-se em Magic Numbers. Parece-me bem.
4 de Julho
LCD Soundsystem (00h20 - 01h35)
The Jesus and Mary Chain (22h45 - 00h00)
Maxïmo Park (21h25 - 22h25)
The Rapture (20h05 - 21h05)
Clap Your Hands Say Yeah (18h45 - 19h45)
Linda Martini (17h45 - 18h25)
Mundo Cão (17h00 - 17h30)
Ah... Prevejo sair daqui um pouco partido.
5 de Julho
Underworld (00h45 - 02h00)
Interpol (23h05 - 00h25)
Scissor Sisters (21h20 - 22h35)
TV On The Radio (20h10 - 21h00)
The Gossip (19h05 - 19h50)
X-Wife (18h10 - 18h50)
Micro Audio Waves (17h35 - 17h55)
Anselmo Ralph (17h00 - 17h20)
You know... I wanna my bed!:P
Sexta-feira, dia 6, vemo-nos no Incógnito? Sei lá... para partilhar fotos e um pé de dança.
* Horário do Super Bock, via Blitz.
28 de Junho
Metallica (22h45 - 01h30)
Joe Satriani (20h50 - 22h05)
Stone Sour (19h40 - 20h30)
Mastodon (18h20 - 19h10)
Blood Brothers (17h30 - 18h00)
More Than A Thousand (16h45 - 17h15)
Men Eater (16h00 - 16h30)
Este belo verde-alface-estridente indica que: "couldn't care less".
Passemos ao que importa:
3 de Julho
Arcade Fire (00h00 - 01h30)
Bloc Party (22h25 - 23h40)
The Magic Numbers (21h05 - 22h05)
Klaxons (19h45 - 20h45)
The Gift (18h35 - 19h25)
Bunnyranch (17h30 - 18h15)
Banda Pre-Load (17h00 - 17h15)
Descansa-se em Magic Numbers. Parece-me bem.
4 de Julho
LCD Soundsystem (00h20 - 01h35)
The Jesus and Mary Chain (22h45 - 00h00)
Maxïmo Park (21h25 - 22h25)
The Rapture (20h05 - 21h05)
Clap Your Hands Say Yeah (18h45 - 19h45)
Linda Martini (17h45 - 18h25)
Mundo Cão (17h00 - 17h30)
Ah... Prevejo sair daqui um pouco partido.
5 de Julho
Underworld (00h45 - 02h00)
Interpol (23h05 - 00h25)
Scissor Sisters (21h20 - 22h35)
TV On The Radio (20h10 - 21h00)
The Gossip (19h05 - 19h50)
X-Wife (18h10 - 18h50)
Micro Audio Waves (17h35 - 17h55)
Anselmo Ralph (17h00 - 17h20)
You know... I wanna my bed!:P
Sexta-feira, dia 6, vemo-nos no Incógnito? Sei lá... para partilhar fotos e um pé de dança.
* Horário do Super Bock, via Blitz.
segunda-feira, maio 21, 2007
"Fomos todos paridos do Ziggy."
A punch-drunk-sentence da semana. Parida já lá vai uns meses. Aqui."Dark Matter Ring Modeled around Galaxy Cluster CL0024+17" - é o título da imagem de 16 de Maio do site Astronomy Picture of The Day, dada a conhecer aqui. Cliquem na imagem. "Galaxy Cluster" - you know? A minha mão esquerda como o ziggy "pariu" mais uma boa porção de malta por aí... Estou farto deste umbiguismo terráqueo, quero conhecer cascatas de outros planetas, falar com outros seres. Afinal, o pó é igual em todo o lado.
* Aqui no 5 years, canta-se o "Five Years" em voz alta. É assim, meia década de horrores, fascínios e virgulas. O tempo urge.
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quarta-feira, maio 16, 2007
Crise Doméstica
A roupa do estendal estava seca. Tiro peça a peça. Meticuloso. De repente, os dedos falham-me e a mola cai. Solto um "Ahaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa......" descontrolado. "Pac!" Bateu no chão. De certeza que não vou lá buscá-la.
1 a 0
O esperado. A casa está a ganhar.
* Adoro este dramatismo policial dark por coisas pequenas!
1 a 0
O esperado. A casa está a ganhar.
* Adoro este dramatismo policial dark por coisas pequenas!
terça-feira, maio 15, 2007
domingo, maio 13, 2007
Noite guardada
Dancei ao som dos LCD Soundsystem. Girei em torno de quem gira à minha volta e perdi-me com vontade nas densidades das existências. Dialoguei, sorri. Se me viram com os braços para cima, então perderam a minha cara de abandono, em que os incógnitos permaneceram incógnitos apesar de formarem a multidão.
Dancei, entrelaçado e livre. Como alguém disse sobre outra coisa qualquer: "É simples, mas não tanto...".
"We're safe, for the moment.
Saved,
For the moment"*
* "Someone Great" dos LCD Soundsystem, que pode ser ouvido aqui.
Dancei, entrelaçado e livre. Como alguém disse sobre outra coisa qualquer: "É simples, mas não tanto...".
"We're safe, for the moment.
Saved,
For the moment"*
* "Someone Great" dos LCD Soundsystem, que pode ser ouvido aqui.
sexta-feira, maio 11, 2007
Perguntei ao Rio Tejo...
... se não nos tinha tirado uma fotografia. Éramos um pormenor no meio da cidade, no meio de muitos miradouros e esplanadas. Mas condensávamos a beleza de Lisboa no nosso olhar. Fazíamos parte dela.
Envolvo-me na memória, na alegria e na saudade dessas horas. Se o Tejo não me responder, tenho a certeza que o sol de Maio guardou o momento. O sol de Maio nunca me falha...
Envolvo-me na memória, na alegria e na saudade dessas horas. Se o Tejo não me responder, tenho a certeza que o sol de Maio guardou o momento. O sol de Maio nunca me falha...
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quinta-feira, maio 10, 2007
A enciclopédia da vida
Uma proposta mundial. "A Enciclopédia da Vida quer criar na Internet páginas para os 1800 milhões de espécies de seres vivos da Terra"*. Vale mesmo a pena dar uma olhada no filme que define este projecto ambicioso.
www.eol.org
* A citação é retirada do artigo do Público de hoje, que está na primeira página da secção Mundo.
www.eol.org
* A citação é retirada do artigo do Público de hoje, que está na primeira página da secção Mundo.
Será que já partimos?*
Sento-me a olhar para o céu, à procura de astronautas. Tenho sempre a sensação de quase ver um. Mas o céu parece transformar-se e eu acabo diante de um espelho, sem nunca conseguir me ver. Todas as vezes erro o meu olhar por tão pouco... Não sei se a minha visão é deficiente, se o céu me engana, ou se, na mais triste das opções, eu já não estou ali.
Sento-me a olhar para o céu, desisti do meu reflexo e em desespero continuo à procura de astronautas...
"Isn't it a little too late for this"
* Mais uma vez, os The National, puseram-me a escrever. "Looking for astronauts".
Sento-me a olhar para o céu, desisti do meu reflexo e em desespero continuo à procura de astronautas...
"Isn't it a little too late for this"
* Mais uma vez, os The National, puseram-me a escrever. "Looking for astronauts".
Desaceleração: corredores e memórias
Fico à espera dos segundos certos. Das matizes de uma noite contidas num momento.
Do aroma destilado do convívio.
Gosto da meia-luz, do que falta por descobrir e de repente se torna claro, do que sempre tive como certo e de repente foge para o reino da dúvida.
Encontro nos corredores por onde passamos o contexto da situação. Afinal, é tão inebriante estar como ser.
E já agora, sorriam, estão a ser fotografados!
segunda-feira, maio 07, 2007
"I used to wanna change the world. Now I just wanna leave the room with a little dignity."
A dignidade não pertence à equação de shortbus, porque está implícita. Mas a deixa é uma no rol de pérolas que o filme vai proporcionando. Tem algumas cenas duvidosas de bad acting e pode-se discutir certas opções do plot. Mas é um filme genuíno, com momentos hilariantes, descomplexado e que arrisca. E no meio de toda a paródia tem cenas de realização lindíssimas.É fresco e sexy e novo e gostava de fazer parte da banda! :D
quarta-feira, maio 02, 2007
A voz do além
Não escolham. Limitem-se andar. Ca-mi-nhem. Lentamente? Rápido de preferência. Vão em frente e sigam. Não ponderem. Nunca ponderem. Ponderar é errado. É conveniente tropeçar algumas vezes. Sim, aprendam com erros, ah, desculpem, serve só se errarem. É mais fácil. Não aprendam. Não pensem. Já disse, não pensem! Um bocadinho de isolamento é bom, é depressivo, fica bem, mas podem ir para a vala em conjunto, quer dizer, para a lama, não queremos mortes. Só alguns ferimentos, mais ou menos graves. Grave é bom. Por isso, já disse: caminhem. Sem pensar. E já sabem, um toque de álcool torna a existência muito mais divertida...
segunda-feira, abril 30, 2007
quarta-feira, abril 25, 2007
O mistério - Segunda parte
Na procura interna de respostas e da imaginação descobre-se muitas vezes as "janelas abertas" ou mais propriamente, abrimos as janelas. Foi nesse estado de deixar o ar sair e entrar que me veio parar às mãos o livro do Amos Oz, chamado "Contra o fanatismo". Editado pelo Público e pela Asa, este pequeno livro vinha de borla numa edição deste jornal da semana passada (acho que foi terça-feira, mas não tenho a certeza).
O livro tem três textos independentes e ainda só tive tempo de ler o primeiro. No entanto a visão do autor acerca do fanatismo humano, e por trás, o seu olhar sobre o ser humano é de um interesse maior. Já para o final deste texto intitulado "Da natureza do fanatismo", Amos Oz descreve o ser humano como uma península, com uma parte virada para o mar, para a introspecção e para o eu, e outra ligada à terra, aos outros, aos laços humanos, às pessoas. E que o respeito mútuo por esta condição peninsular era essencial para a manutenção de um equilíbrio. Que era no respeito pelas ideias do outro e na tentativa de consensos e de autocrítica (talvez através do humor) que se mantinha o fanatismo distante de cada um de nós.
Amos Oz também refere de uma forma muito directa o que está na génese do fanatismo:
"Digo que a semente do fanatismo brota ao adoptar-se uma atitude de superioridade moral que impeça a obtenção de consensos." - pp. 17
No nosso feriado mais significativo, onde se comemora a liberdade como um bem maior, no meio de um mundo onde os consensos parecem ser cada vez mais complicados, manter o espírito aberto, lúcido, interrogativo, parece ser urgente. Nessa visão peninsular do eu, procuramos respostas no mar para responder aos problemas da terra e achamos respostas em terra para os problemas do mar. Sempre, com o pensamento e a comunicação a correr num estado livre.
O livro tem três textos independentes e ainda só tive tempo de ler o primeiro. No entanto a visão do autor acerca do fanatismo humano, e por trás, o seu olhar sobre o ser humano é de um interesse maior. Já para o final deste texto intitulado "Da natureza do fanatismo", Amos Oz descreve o ser humano como uma península, com uma parte virada para o mar, para a introspecção e para o eu, e outra ligada à terra, aos outros, aos laços humanos, às pessoas. E que o respeito mútuo por esta condição peninsular era essencial para a manutenção de um equilíbrio. Que era no respeito pelas ideias do outro e na tentativa de consensos e de autocrítica (talvez através do humor) que se mantinha o fanatismo distante de cada um de nós.
Amos Oz também refere de uma forma muito directa o que está na génese do fanatismo:
"Digo que a semente do fanatismo brota ao adoptar-se uma atitude de superioridade moral que impeça a obtenção de consensos." - pp. 17
No nosso feriado mais significativo, onde se comemora a liberdade como um bem maior, no meio de um mundo onde os consensos parecem ser cada vez mais complicados, manter o espírito aberto, lúcido, interrogativo, parece ser urgente. Nessa visão peninsular do eu, procuramos respostas no mar para responder aos problemas da terra e achamos respostas em terra para os problemas do mar. Sempre, com o pensamento e a comunicação a correr num estado livre.
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O mistério - Primeira parte
O que falta descobrir em cada um de nós? Lembrei-me desta pergunta quando vi esta fotografia no site do Público. Estava legendada assim:"Pegadas ao contrário Steve Torgersen, perito de minas norueguês, olha deslumbrado para os fósseis de pegadas de uma criatura pré-histórica descobertos no tecto de uma mina de carvão na ilha de Spitsbergen, no Árctico. Foto: Francois Lenoir/Reuters"
Também eu teria ficado "deslumbrado" se estivesse no lugar de Steve Torgersen. Temos a tendência para nos esquecer que por trás da nossa História, existe outra muito maior feita por forças elementares que condiciona toda a nossa estadia cá. De vez em quando, pequenos relatos dessa História vêm ao de cima. O que é preciso é ter imaginação para os encontrar. O benefício, para além da óbvia conquista de mais uma peça do enorme puzzle que está por ser feito, é ficarmos mais pequeninos. Ou seja, esse ponto ilusoriamente físico que é o céu distancia-se. E todo o novo espaço que aparece, presta-se a ser penetrado pela nossa imaginação, sonhos, ideias. Obriga-nos a pensar.
sábado, abril 21, 2007
The Libertine
Patrick Wolf encerrou o concerto no Lux num tom inocentemente desafiador, o cantor propôs às pessoas para se juntarem em grupos de duas ou três e praticarem "posições mágicas" depois do concerto. No meio da risota geral, começa-se a ouvir "The Magic Position" como uma possível banda sonora para os afazeres...Talvez tenha sido este o motivo dos convites que o continuar da noite me foi oferecendo. Mas a inocência da proposta de Patrick Wolf manteve-se intocada, pois todas elas tinham um carácter exclusivamente científico.
* Na verdade só existiu uma proposta (à qual declinei educadamente), mas a história vem sempre primeiro! ;)
quinta-feira, abril 19, 2007
O desânimo dos justos*
“Chega!” - disse ela - “Não quero mais.”
“Não quero mais a manta.”
“Não quero mais o exercício.”
Não quero mais viver?
* O desânimo justo.
“Não quero mais a manta.”
“Não quero mais o exercício.”
Não quero mais viver?
* O desânimo justo.
quarta-feira, abril 18, 2007
Bonnie 'Prince' Billy
A memória do concerto no Maxime já não está tão fresca, mas a urgência deste post deve-se ao efeito imediato de ouvir a música "Cursed Sleep".
"Then waking she was older still
And holds my love against it's will
In spell cast with her palms extended
Cursed love is never ended"
É uma história tão pequena, cantada em 6 estrofes. De uma densidade e leveza simultâneas. Mas é a frase "Cursed love is never ended" que me deixa prostrado no chão, com vontade de chorar e de ser pisado por gigantes. A partir daqui nunca mais quero sentir-me leve.
É por isso que o Bonnie aterrou e marcou a minha estante. Quando as noites vão para lá das estações e do mundo, carrego no "play" e deixo-me afundar...
* Bonnie 'Prince' Billy. Letra de "Cursed sleep".
"Then waking she was older still
And holds my love against it's will
In spell cast with her palms extended
Cursed love is never ended"
É uma história tão pequena, cantada em 6 estrofes. De uma densidade e leveza simultâneas. Mas é a frase "Cursed love is never ended" que me deixa prostrado no chão, com vontade de chorar e de ser pisado por gigantes. A partir daqui nunca mais quero sentir-me leve.
É por isso que o Bonnie aterrou e marcou a minha estante. Quando as noites vão para lá das estações e do mundo, carrego no "play" e deixo-me afundar...
* Bonnie 'Prince' Billy. Letra de "Cursed sleep".
terça-feira, abril 17, 2007
Inventário sociológico
"Ele era o Duende Verde que cuspia água como as baleias, eu era o fato-de-água. Mau, claro!"
*Relação sobrinho-tio, nos inícios do século XXI.
*Relação sobrinho-tio, nos inícios do século XXI.
Órbitas
“Come with me, come with me
We’ll travel to infinity”
Klaxons - Gravity's Rainbow
Os eventos com (des)conhecidos não dão um aspecto circular ao mundo, temo que nesta vida nada se feche. Mas na minha realidade pobre, escorrego por aí de encontro aos desfechos inacabados das outras pessoas. Sinto-me um electrão parvo e saltitante que se mastiga a si próprio por mastigar os outros. Afinal, somos tão poucos…
Por isso a ascensão ao infinito parece ser um sonho só revelado aos Klaxons. A mim, resta-me a clausura dos bares nocturnos lisboetas, que me nivelam por baixo com os seus olhares. E é estranhamente no despertar caseiro que posso ouvir a voz do Jamie Reynolds sem interferência.
We’ll travel to infinity”
Klaxons - Gravity's Rainbow
Os eventos com (des)conhecidos não dão um aspecto circular ao mundo, temo que nesta vida nada se feche. Mas na minha realidade pobre, escorrego por aí de encontro aos desfechos inacabados das outras pessoas. Sinto-me um electrão parvo e saltitante que se mastiga a si próprio por mastigar os outros. Afinal, somos tão poucos…
Por isso a ascensão ao infinito parece ser um sonho só revelado aos Klaxons. A mim, resta-me a clausura dos bares nocturnos lisboetas, que me nivelam por baixo com os seus olhares. E é estranhamente no despertar caseiro que posso ouvir a voz do Jamie Reynolds sem interferência.
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quarta-feira, abril 04, 2007
O cego
Apagou os olhos de uma vez, tinha decidido esquecer-se de ver. Não que já tivesse visto tudo, mas não conseguia ver nada de novo. Nem as lágrimas lavavam a vista viciada.
Sentia-se verdadeiramente velho, e aos velhos que já viram tudo o que tinham para ver resta-lhes a cegueira - a endiabrada e ilusória tentativa de iniciarem uma nova vida através de outro sentido. Um passo à frente do resto da humanidade...
Sentia-se verdadeiramente velho, e aos velhos que já viram tudo o que tinham para ver resta-lhes a cegueira - a endiabrada e ilusória tentativa de iniciarem uma nova vida através de outro sentido. Um passo à frente do resto da humanidade...
quinta-feira, março 22, 2007
Estilhaço Histológico
"I think this place is full of spies
I think I'm ruined"
Assusto-me na tua magreza, na tua cara escavada pelos sentimentos, no teu olhar perdido nas emoções. Vejo-te frágil, um corpo quase invisível que se desmonta aos poucos, esquecido dos seus ossos, músculos, tendões.
"Didn't anybody, didn't anybody tell you
Didn't anybody tell you, this river's full of lost sharks"
Não faço nada. Mal observo de longe a conquista dos sentidos deturpados, da mente ensombrada. E não resisto a chorar pela demora dos outros em ti, pelas pancadas doces que nos encravam na terra.
"I know you put in the hours to keep me in sunglasses, I know"
"And so and now I'm sorry I missed you
I had a secret meeting in the basement of my brain"
Não podias ser tu a cantar-me esta canção? Cada vez mais perdida na cave do teu cérebro, onde ninguém te pode salvar... dos espiões, dos tubarões, do quotidiano interior com que vives o teu olhar.
"Didn't anybody, didn't anybody tell you
Didn't anybody tell you how to gracefully disappear in a room"
* Os The National cantam "Secret Meeting" aqui.
I think I'm ruined"
Assusto-me na tua magreza, na tua cara escavada pelos sentimentos, no teu olhar perdido nas emoções. Vejo-te frágil, um corpo quase invisível que se desmonta aos poucos, esquecido dos seus ossos, músculos, tendões.
"Didn't anybody, didn't anybody tell you
Didn't anybody tell you, this river's full of lost sharks"
Não faço nada. Mal observo de longe a conquista dos sentidos deturpados, da mente ensombrada. E não resisto a chorar pela demora dos outros em ti, pelas pancadas doces que nos encravam na terra.
"I know you put in the hours to keep me in sunglasses, I know"
"And so and now I'm sorry I missed you
I had a secret meeting in the basement of my brain"
Não podias ser tu a cantar-me esta canção? Cada vez mais perdida na cave do teu cérebro, onde ninguém te pode salvar... dos espiões, dos tubarões, do quotidiano interior com que vives o teu olhar.
"Didn't anybody, didn't anybody tell you
Didn't anybody tell you how to gracefully disappear in a room"
* Os The National cantam "Secret Meeting" aqui.
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segunda-feira, março 19, 2007
Outros domingos
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Refugiava-se nos enquadramentos clássicos para não ser apanhado desprevenido. Afinal, quem garantia que os domingos de ontem acabavam sempre nas segundas-feiras de hoje? Tinha medo de saltar o dia e acordar na terça-feira seguinte, ou mesmo cortar toda a semana para voltar a aparecer na véspera da próxima segunda. Sentado, num bar, bebia a confiança de um copo de vinho. Depois, dirigia-se para casa e adormecia calmamente com uma memória recente a aveludar-lhe a alma: o momento em que pousava o cardápio na mesa com a escolha feita na cabeça - era nesse gesto que assegurava a continuidade dos dias...
quinta-feira, março 15, 2007
quinta-feira, março 08, 2007
Vieira da Silva
"(...) Na obscura noite lúcida."
Sophia de Mello Breyner
Parte da obra de Vieira da Silva está exposta na
quarta-feira, março 07, 2007
As escadas
Eram exteriores, de incêndio e iam até ao terraço. O motivo nunca era o café ou o tabaco, essas foram sempre as desculpas. A caminhada até ao final do corredor era sedutora, depois abria-se a porta, que por razão nenhuma se deixava fechar e lá estavam: as escadas. Eram impessoais, de metal, frias, um imaginário que acabava ali - no propósito objectivo da sua função, para subir, para descer. Mas naquele patamar onde a subida tinha início havia mais: um balde branco de plástico (um banco excelente), os tabaqueiros a crescerem, beatas por todo o lado, alguém a requerer a privacidade de um telefonema, um fumador ausente, memórias de pessoas, memórias de memórias...
Os três reuniam-se aí: depois do café da manhã, do almoço, à hora do cigarro da tarde, ou nas muitas vezes em que a vontade não deixava esperar pelo encontro horário. Trocavam-se conversas, revelavam-se segredos, forjavam-se planos com a garantia certa que passado cada dia aquele espaço ganhava uma áurea maior de intimidade, ao mesmo tempo que, paradoxalmente, se aproximava o momento da partida.
Viveram os melhores momentos daquelas escadas no último Verão, durante o café da manhã. A certeza de um dia soalheiro e longo, os momentos de pausa a seguir a uma revelação, a transpiração da juventude que sugere tudo: até a promessa da sensação eterna de se estar vivo.
Os três reuniam-se aí: depois do café da manhã, do almoço, à hora do cigarro da tarde, ou nas muitas vezes em que a vontade não deixava esperar pelo encontro horário. Trocavam-se conversas, revelavam-se segredos, forjavam-se planos com a garantia certa que passado cada dia aquele espaço ganhava uma áurea maior de intimidade, ao mesmo tempo que, paradoxalmente, se aproximava o momento da partida.
Viveram os melhores momentos daquelas escadas no último Verão, durante o café da manhã. A certeza de um dia soalheiro e longo, os momentos de pausa a seguir a uma revelação, a transpiração da juventude que sugere tudo: até a promessa da sensação eterna de se estar vivo.
sábado, março 03, 2007
Teve um acidente horrível. Ficou estropiada. Depois de semanas no hospital voltou para casa. Entrou, viu o pai e a primeira coisa que disse saiu-lhe de rompante, incontrolado, quase aos berros: "Vou ser artista, padecer para sempre de dor, ser genial!". Olhou para o lado, mais sossegada, e sussurrou para ninguém o último rasgo já calmo daquele acesso de loucura: "morrer cedo...".
sexta-feira, março 02, 2007
Os dias escritos
Os dias são cinzentos. São azuis, pretos e cinzentos. Os dias são quartos de hospitais 24 horas por cima de 24 horas. Os dias são tentativas de eternos sorrisos para plateias tristes, conformadas. Os dias são camas ocupadas, para serem desocupadas, para voltarem a estar ocupadas. Os dias são mudanças sucessivas de casas, em cariz triângular, em arremessos de vontade, de falta de energia, de esperança, de tristeza. Os dias também são ódio, choro, luz e paz. Os dias têm sido mar sem procura, apenas o olhar a abarcar a imensidão inconstante. Uma garantia confortável da ausência de pensamento enquanto o azul perdura.
Os dias têm sido tudo isto, e cada um daria um post como cada frase acima daria um parágrafo.
Os dias têm sido tudo isto, e cada um daria um post como cada frase acima daria um parágrafo.
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segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Só para ver as cartas tombarem em ecrã total
Às 3h20 da manhã. Clicar no solitário. Optar pelo modo "uma carta" e "sem pontuação" (depois de trezentas tentativas falhadas ao longo da noite em modo "Vegas"). Falhar 2 vezes e ganhar à terceira.
How sad is that?
How sad is that?
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sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Intermission
Tenho que.
I am a total bastard.
Para gaúdio dos meus interlocutores estou passado. Ou estou no passado?
Quantas palavras precisamos para nos descrever? Pode-se apelar à sinonímia? Pode-se apelar?
O ritmo dos dias não me cansa, cansa-me não ter ritmo para os meus dias. Cansa-me a arritmia. Mas a arritmia é outra coisa... - "irregularidade e desigualdade das contracções do coração." in Priberam. Num sentido menos físico, quem não sente uma "irregularidade e desigualdade das contracções do coração". Eu acho que isto é um sinónimo para angústia - "estreiteza; aperto; limitação de espaço; opressão; aflição; desgosto; tribulação; agonia." in Priberam, again.
Não. Não será a mesma coisa. Morre-se de angústia? Morre-se de arritmia?
Não disse nada sobre mim. Porque é que sou um bastard? E porque é que estou passado? Ou estou passado e por isso apetece-me escrever uma frase em inglês, fingir que choco as pessoas, dar-me ares. (não sei se esta última frase leva ou não ponto de interrogação)
Não tenho nada para dizer. Mas é revoltoso o eco, oco e interior. O apelo que não se revela em nada, mas não deixa de se propagar. O vazio, aqui, neste espaço que não consigo apontar mas que não deixo de sentir. A angústia. A angústia com motivos mas sem resultados. O peso dos dias. Os meses densos.
Nada se resolve com posts de merda.
Tenho que.
I am a total bastard.
Para gaúdio dos meus interlocutores estou passado. Ou estou no passado?
Quantas palavras precisamos para nos descrever? Pode-se apelar à sinonímia? Pode-se apelar?
O ritmo dos dias não me cansa, cansa-me não ter ritmo para os meus dias. Cansa-me a arritmia. Mas a arritmia é outra coisa... - "irregularidade e desigualdade das contracções do coração." in Priberam. Num sentido menos físico, quem não sente uma "irregularidade e desigualdade das contracções do coração". Eu acho que isto é um sinónimo para angústia - "estreiteza; aperto; limitação de espaço; opressão; aflição; desgosto; tribulação; agonia." in Priberam, again.
Não. Não será a mesma coisa. Morre-se de angústia? Morre-se de arritmia?
Não disse nada sobre mim. Porque é que sou um bastard? E porque é que estou passado? Ou estou passado e por isso apetece-me escrever uma frase em inglês, fingir que choco as pessoas, dar-me ares. (não sei se esta última frase leva ou não ponto de interrogação)
Não tenho nada para dizer. Mas é revoltoso o eco, oco e interior. O apelo que não se revela em nada, mas não deixa de se propagar. O vazio, aqui, neste espaço que não consigo apontar mas que não deixo de sentir. A angústia. A angústia com motivos mas sem resultados. O peso dos dias. Os meses densos.
Nada se resolve com posts de merda.
Tenho que.

