sexta-feira, março 28, 2008
Caramelado de sono, ainda sinto arestas suficientes no meu corpo para despejar something para aqui. Sempre valorizei os moods, os meus, os dos outros, os das pessoas e os dos locais. Gosto de deixar-me atravessar pelo tempo, sentir as coisas a mudarem. Antecipar-me a essa mudança.
Braços para cima e deixem-se voar...
Uh! Uh!
* The Kills
domingo, março 23, 2008
Serões na província
Dito isto, num espírito queiroziano assumidamente inspirado no romance "A cidade e as serras" (mas sem defender aquele final, que apesar de delicioso, é demasiado moralista para mim), fazia-me falta um fim-de-semana prolongado no campo. Algo primaveril, mas ainda com os últimos rasgos de um Inverno idealizado. Sentido nas manhãs mais frias, nas chuvas mais gélidas, nos ventos mais cortantes.
De resto, dias simples: montanhas a perder de vista, horários pouco extravagantes, o sossego na falta da tecnologia, algo para ler, passeios prolongados, refeições tradicionais, finais de tarde bucólicos, princípios de noite ao som de jogatanas.
E,
a ausência de olhares. Excepto dos que estão carregados de afecto, dos que nos conhecem, dos que são seguros.
sábado, março 22, 2008
6 degrees*
I smiled at you You smiled at me"
And i'm on my way
* As redes sociais são um coisa maravilhosa...
terça-feira, março 18, 2008
O leitor pode escolher ficar para sempre, ali.
Hoje é essa frase que me ribomba na mente. É esse o grito. É a sensação desse grito enquanto grito.
"Vocês são os melhores amigos do mundo!"
sábado, março 15, 2008
Another night
Nunca esperei ver no Incógnito fazer-se um comboio de pessoas. Enfim, dar um desconto aos turistas, que podem baixar a guarda para serem o que são e o que não são... Mas os discos voadores conseguiram, algum tempo depois, fazer-me esquecer tudo isso. O Galopim passou a música dos The Kills que eu citei dois posts abaixo. Foi o momento catártico da noite, e mais uma pedrinha para o saco da minha crença na simetria das coisas...
Depois, por cima, por baixo, ao lado, e mais importante de tudo - por dentro, os amigos. Aqueles que trazem a áurea às minha noites.
Now it's time for bed...
quinta-feira, março 13, 2008
"You got a ghost in your head"
quarta-feira, março 12, 2008
Finalmente aos beijos, pelo esforço de se tornarem únicos. Não vá uma palavra errada, um choro melancólico, uma volta da vida fazer-nos lembrar que foram os últimos.
quarta-feira, março 05, 2008
Hoje,
segunda-feira, março 03, 2008
*Este blog está a tornar-se num bunker de quotes e eu estou cada vez mais empolgado com o concerto dos The National. Excerto da letra de Apartment Story.
domingo, março 02, 2008
"Hot cold season gonna sink in my sweat"*
* Yeah Yeah Yeahs, excerto da música Dudley, letra aqui.
Apocalipse doméstico
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
"keep it simple" - it's a quote
something.
algo.
vou publicar o post. fazer um café. bebê-lo. e vou manter as coisas simples. amanhã almoço convosco, e neste momento isso é tudo o que interessa.
kiss kiss
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
De vez.
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
"Maybe we can eventually make language a complete impediment to understanding."
Não sei do que gosto mais. Se da vontade demoniaca e inocente do Calvin, se do olhar sarcástico e levemente pedante do Hobbes.
domingo, fevereiro 24, 2008
Azul/Castanho
Contudo, ele que olhava, questionava aquela fronteira que as cores definiam. Será que mais uma vez não seria a incapacidade humana de apreender a gradualidade das coisas, responsável por aquela percepção? Agora na sua vertente fisiológica, óptica?
Focava a fronteira, olhava para o azul e para o castanho distantes, esforçava-se para encontrar uma zona de mistura, um padrão intermédio. Não admitia ser vítima do seu cérebro primário, que até naquela situação, continuava a envolver a realidade num sistema binário que tudo simplificava, e que destruía a hipótese de se ser verdadeiramente livre...
sábado, fevereiro 23, 2008
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
"The rainbow of her reasons"
Lembro-me de ver um documentário dos Sete Palmos de Terra, onde o Alan Ball falava como é que ele e os outros escritores da série iam desenvolvendo as personagens. Que o que acontecia a cada personagem não tinha um impacto directo nas suas acções, o encadeamento mental e interior de cada um é intrincado e depende de vários factores (mimetizando as pessoas na vida real) e muitas vezes as verdadeiras consequências de algo que acontece são subtis e revelam-se muito mais a jusante do que seria esperado.Dois exemplos:
- Durante a segunda temporada a Brenda tem dois comportamentos paralelos que são a antítese um do outro. Por um lado vai alimentando e fazendo o papel de namorada do Nate, faz a festa de noivado, encaixa da melhor forma possível a notícia de que o Nate vai ter um filho de outra. Todo o comportamento normal, socialmente aceite e correcto de uma pessoa madura. Ao mesmo tempo, vai tendo relações casuais com outros homens a título de experiência quase científica, mas que põem em causa o relacionamento com o Nate e são um reflexo inconsciente da sua incapacidade e medo de assumir uma relação para a vida. No final da temporada a situação explode, numa discussão brutal entre os dois.
- Outro exemplo é o caso do David em que num episódio da quarta temporada é raptado e passa por uma experiência traumática que o deixa literalmente às portas da morte. Essa experiência tem um impacto directo durante o resto da temporada, mas vai sendo tratada e posta de lado. No entanto, depois da morte do irmão, já no final da quinta temporada, o problema reacende-se e o David volta a ter pesadelos com o seu agressor até se aperceber que o que está em jogo é a incapacidade de aceitar a sua morte, que ficou mais próxima depois do que aconteceu ao irmão.
Durante as cinco temporadas dos Sete Palmos, podemos verificar este comportamento em harmónica de todas as personagens. Em que os acontecimentos parecem ser encaixados por cada um, mas que mais tarde revelam-se nos momentos menos óbvios em acções que vão custar caro e que para serem realmente superadas exigem tempo e um esforço épico.
É precisamente este mecanismo que torna as personagens complexas e faz com que a série seja tão boa. Porque a forma como os defeitos e a personalidade de cada um são trabalhados está muito perto da realidade. As nossas acções e comportamentos, os nossos vícios, todos os pequenos detalhes que nos constroem são fruto de centenas de acontecimentos que muitas vezes não nos apercebemos nem questionamos e que se reflectem em ciclos comportamentais, em falhas, em momentos e acções que não conseguimos explicar. O título deste post remete para esta ideia. “The rainbow of her reasons” dá o nome a um dos episódios mais bonitos da última temporada e é uma imagem mental clarificadora do que escrevi acima. A razão da razão é vasta e cobre-nos. É por isso que se leva uma vida inteira a tentar compreender os outros e a nós próprios.


