domingo, março 30, 2008

Vivo momentos enriquecedores, tenho medo é que não sejam os importantes...

sexta-feira, março 28, 2008

"What New - York Used to be! Uh! Uh!"*

Caramelado de sono, ainda sinto arestas suficientes no meu corpo para despejar something para aqui. Sempre valorizei os moods, os meus, os dos outros, os das pessoas e os dos locais. Gosto de deixar-me atravessar pelo tempo, sentir as coisas a mudarem. Antecipar-me a essa mudança.

Braços para cima e deixem-se voar...

Uh! Uh!


* The Kills

domingo, março 23, 2008

Pick your choice

"I can give you what you want.
I can make your heart beat short.
I can make you ice cream"
- New Young Pony Club









"Cause love is just a dialogue
You can't survive on ice-cream
You got the same needs as a dog"
- The Kills


Serões na província

Catalogar as noites dos outros como "serões na província" (mas não "serões provincianos", diga-se!), pode ser visto como um trabalho do meu inconsciente reprimido que anda à procura de outro tipo de noites.
Dito isto, num espírito queiroziano assumidamente inspirado no romance "A cidade e as serras" (mas sem defender aquele final, que apesar de delicioso, é demasiado moralista para mim), fazia-me falta um fim-de-semana prolongado no campo. Algo primaveril, mas ainda com os últimos rasgos de um Inverno idealizado. Sentido nas manhãs mais frias, nas chuvas mais gélidas, nos ventos mais cortantes.
De resto, dias simples: montanhas a perder de vista, horários pouco extravagantes, o sossego na falta da tecnologia, algo para ler, passeios prolongados, refeições tradicionais, finais de tarde bucólicos, princípios de noite ao som de jogatanas.

E,

a ausência de olhares. Excepto dos que estão carregados de afecto, dos que nos conhecem, dos que são seguros.

sábado, março 22, 2008

6 degrees*

"I looked at you You looked at me,
I smiled at you You smiled at me"


And i'm on my way


* As redes sociais são um coisa maravilhosa...

terça-feira, março 18, 2008

O leitor podia ter ficado ali se não houvesse depois. "Adeus! Vocês são os melhores amigos do mundo!"

O leitor pode escolher ficar para sempre, ali.

Hoje é essa frase que me ribomba na mente. É esse o grito. É a sensação desse grito enquanto grito.

"Vocês são os melhores amigos do mundo!"

sábado, março 15, 2008

Cada vez gosto mais de acentos.
A 5 de Fevereiro de 2007 escrevi este post: "No carrossel dos amigos estou sempre pronto a entrar.". Hoje não consigo deixar de sentir leviandade nesta frase e olho-a com descrédito. O amusement que está subjacente a ela é-me agora indiferente... Não sou menos sensível ao carrossel que possa ser a vida dos meus amigos. Sou mais clínico, menos inocente e adivinho melhor o sofrimento que está para vir. Em contrapartida tenho muito mais energia para ajudar a combater esse sofrimento.

Another night

É como as notícias, o tempo traz desinteresse aos acontecimentos. Por isso escrevo já, antes que esta noite se dilua nas outras todas.

Nunca esperei ver no Incógnito fazer-se um comboio de pessoas. Enfim, dar um desconto aos turistas, que podem baixar a guarda para serem o que são e o que não são... Mas os discos voadores conseguiram, algum tempo depois, fazer-me esquecer tudo isso. O Galopim passou a música dos The Kills que eu citei dois posts abaixo. Foi o momento catártico da noite, e mais uma pedrinha para o saco da minha crença na simetria das coisas...

Depois, por cima, por baixo, ao lado, e mais importante de tudo - por dentro, os amigos. Aqueles que trazem a áurea às minha noites.

Now it's time for bed...

sexta-feira, março 14, 2008

Ah, o bem que me fazia dançar. Amanhã vingo-me!...

quinta-feira, março 13, 2008

"You got a ghost in your head"

"Time ain't gonna cure you honey, time don't give a shit
Time ain't gonna cure you honey, time just gonna hit, on you"*


O último álbum dos The Kills está cheio de boas citações. Eu gosto de boas citaçãos. Eu cito.

Boom Boom

* Parte da letra de "Tape Song", tirada de ouvido.

quarta-feira, março 12, 2008

Aos beijos a sofreguidão. O tremor na simetria universal das bocas, o roçar das línguas, a respiração roubada. Nos beijos, sempre a continuação do outro, a inaptidão do pensamento, os olhos fechados. Os beijos, que se apoderam de nós, que submetem a razão, que nos sugam. Que duram mais três segundos quando já decidiram acabar. Aos beijos a imensidão do momento, que nos engana, não nos avisando da memória que descai de tão mal guardada.
Finalmente aos beijos, pelo esforço de se tornarem únicos. Não vá uma palavra errada, um choro melancólico, uma volta da vida fazer-nos lembrar que foram os últimos.

sábado, março 08, 2008

Já tenho torradeira, sou um homem feliz! :)

quarta-feira, março 05, 2008

Hoje,

...a surpresa de um café com alguém que anda geograficamente longe. A facilidade em como se põe a conversa em dia. Nem um segundo de estranheza. A saudade e o afecto a embrenharem-se. O conforto da amizade. Quente, quente, quente...

segunda-feira, março 03, 2008

"Sleep in our clothes and wait for winter to leave"


*Este blog está a tornar-se num bunker de quotes e eu estou cada vez mais empolgado com o concerto dos The National. Excerto da letra de Apartment Story.

domingo, março 02, 2008

Motivação química

* Que ninguém pense que este post tem alguma coisa que ver com o anterior...
Nunca senti tamanha resistência para fazer a merda de um trabalho. É aflitivo!!!

"Hot cold season gonna sink in my sweat"*

Façam a abstracção mental que quiserem, mas esta frase tira-me do sério...


* Yeah Yeah Yeahs, excerto da música Dudley, letra aqui.
Passamos uma vida a acumular memórias para morrermos e alguém se esquecer delas por nós.

Apocalipse doméstico

As pequenas coisas da vida são por exemplo, torradas com manteiga ao pequeno-almoço. É por isso que soa a catástrofe quando nos acordam e no meio da conversa dizem "A torradeira estragou-se.", este tipo de frases são os verdadeiros arautos do apocalipse...

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

"keep it simple" - it's a quote

A frase vem-me à cabeça de dois em dois minutos, numa voz de mulher. keep it simple, they say. or she says. or something.

something.

algo.

vou publicar o post. fazer um café. bebê-lo. e vou manter as coisas simples. amanhã almoço convosco, e neste momento isso é tudo o que interessa.

kiss kiss

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

A chuva cai lá fora, os candeeiros são minhas testemunhas. O céu nublado tem um tom laranja artificial. Sinto cada vez mais a chuva como um fenómeno inesperado, que traz consigo algum tipo de esperança...

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Montar as arestas. Colocar os vidros (duplos, para protecção eficaz). Upa! Saltar lá para dentro e fechar o cubo. Já posso navegar, não me afundo...
Começo a ficar deprimido com a quantidade de bandas que vêm cá e a percentagem que eu não posso ir ver... Chuiff!!!
Por fim ficaram os olhos, a esforçarem-se para reter a atenção um do outro. Um diálogo mudo, numa outra língua, para se certificarem que o que tinha sido falado ia para lá do mero aceno mental e criara raízes na alma de cada um. O que estava em jogo não permitia erros nem decepções, o fim de um amanhecer diário que carimbava a solidão, a hipótese de se deixar de vaguear sozinho pelo universo.

De vez.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Cinco dias que vão passar a correr, no desespero de um prazo a cumprir. É o tudo ou nada. É o desafio.

"Maybe we can eventually make language a complete impediment to understanding."

Não sei do que gosto mais. Se da vontade demoniaca e inocente do Calvin, se do olhar sarcástico e levemente pedante do Hobbes.

domingo, fevereiro 24, 2008

Azul/Castanho

Ao longe o rio embatia contra o mar, numa luta de cores. O primeiro, castanho das chuvas e das lamas, o segundo, azul escuro, como se a profundidade fosse uma forma de ser e não uma condição física.
Contudo, ele que olhava, questionava aquela fronteira que as cores definiam. Será que mais uma vez não seria a incapacidade humana de apreender a gradualidade das coisas, responsável por aquela percepção? Agora na sua vertente fisiológica, óptica?
Focava a fronteira, olhava para o azul e para o castanho distantes, esforçava-se para encontrar uma zona de mistura, um padrão intermédio. Não admitia ser vítima do seu cérebro primário, que até naquela situação, continuava a envolver a realidade num sistema binário que tudo simplificava, e que destruía a hipótese de se ser verdadeiramente livre...

sábado, fevereiro 23, 2008

Fascina-me. Aos poucos. Mantém-me desperto, acordado. Retira-me o peso dos dias tornando cada um único...

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

"The rainbow of her reasons"

Lembro-me de ver um documentário dos Sete Palmos de Terra, onde o Alan Ball falava como é que ele e os outros escritores da série iam desenvolvendo as personagens. Que o que acontecia a cada personagem não tinha um impacto directo nas suas acções, o encadeamento mental e interior de cada um é intrincado e depende de vários factores (mimetizando as pessoas na vida real) e muitas vezes as verdadeiras consequências de algo que acontece são subtis e revelam-se muito mais a jusante do que seria esperado.

Dois exemplos:

- Durante a segunda temporada a Brenda tem dois comportamentos paralelos que são a antítese um do outro. Por um lado vai alimentando e fazendo o papel de namorada do Nate, faz a festa de noivado, encaixa da melhor forma possível a notícia de que o Nate vai ter um filho de outra. Todo o comportamento normal, socialmente aceite e correcto de uma pessoa madura. Ao mesmo tempo, vai tendo relações casuais com outros homens a título de experiência quase científica, mas que põem em causa o relacionamento com o Nate e são um reflexo inconsciente da sua incapacidade e medo de assumir uma relação para a vida. No final da temporada a situação explode, numa discussão brutal entre os dois.

- Outro exemplo é o caso do David em que num episódio da quarta temporada é raptado e passa por uma experiência traumática que o deixa literalmente às portas da morte. Essa experiência tem um impacto directo durante o resto da temporada, mas vai sendo tratada e posta de lado. No entanto, depois da morte do irmão, já no final da quinta temporada, o problema reacende-se e o David volta a ter pesadelos com o seu agressor até se aperceber que o que está em jogo é a incapacidade de aceitar a sua morte, que ficou mais próxima depois do que aconteceu ao irmão.

Durante as cinco temporadas dos Sete Palmos, podemos verificar este comportamento em harmónica de todas as personagens. Em que os acontecimentos parecem ser encaixados por cada um, mas que mais tarde revelam-se nos momentos menos óbvios em acções que vão custar caro e que para serem realmente superadas exigem tempo e um esforço épico.

É precisamente este mecanismo que torna as personagens complexas e faz com que a série seja tão boa. Porque a forma como os defeitos e a personalidade de cada um são trabalhados está muito perto da realidade. As nossas acções e comportamentos, os nossos vícios, todos os pequenos detalhes que nos constroem são fruto de centenas de acontecimentos que muitas vezes não nos apercebemos nem questionamos e que se reflectem em ciclos comportamentais, em falhas, em momentos e acções que não conseguimos explicar. O título deste post remete para esta ideia. “The rainbow of her reasons” dá o nome a um dos episódios mais bonitos da última temporada e é uma imagem mental clarificadora do que escrevi acima. A razão da razão é vasta e cobre-nos. É por isso que se leva uma vida inteira a tentar compreender os outros e a nós próprios.