quinta-feira, setembro 24, 2009
O postigo
Fechou-se o postigo e abriu-se a porta? Procuro o alçapão, a clarabóia, uma parede em falta, o céu com estrelas. Quantos passos errados são necessários para me transformar num sem abrigo? Voltando ao postigo. Preciso de imaginação e vontade de sair da cama. Estou farto da tangencia. Procuro o toque, o contacto, o encontrão, a colisão. Quero o choque frontal para mandar a casa abaixo.
terça-feira, setembro 22, 2009
A manhã que fechou o Verão
Está-se bem na manhã de Lisboa com o céu azul imponente e a cidade a ouvir-se. As manhãs substituem a solidão de uma forma delicada, entre meandros de luz e de céu. Há mais violência nas trocas que se faz com a noite - parece que se perde sempre algo. Entretanto, há uma nova estação acabada de chegar recheada de oportunidades. O meu primeiro Outono em Lisboa. Fico à espera das folhas caídas, dos lugares cinzentos e húmidos, do frio. Ainda com saudades do que virá.
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sábado, setembro 19, 2009
"And don't you know sometimes I could just kill for a good conversation"*
"Don't wanna be nobody's burden so you just hit the dance floor
(...)
Hey, am I making any sense at all?
Does anyone here speak English?
Cuz everybody's acting like I'm crazy
Hey, is this thing on?"*
* !!! "Hello? Is this thing on?"
(...)
Hey, am I making any sense at all?
Does anyone here speak English?
Cuz everybody's acting like I'm crazy
Hey, is this thing on?"*
* !!! "Hello? Is this thing on?"
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quarta-feira, setembro 16, 2009
"But you, you just know, you just do"*
Faço eco no meio digital, quando o que me apetecia era ouvir vozes em analógico. Outras, muitas, como as estrelas no campo, porque na cidade só se descortinam uma ou duas nos céus, à noite. É tanto o ruído, que só consigo prestar atenção a algumas vozes e muitas vezes é só a minha, de que estou particularmente farto. Talvez seja por isso que fale para aqui...
Agora calo-me e deixo os significados para os The XX. Eles sabem mais, são analógicos há muito tempo.
"When I find myself by the sea, in anothers company by the sea
When I go out the pier, gonna die and have no fear
Because you, you just know, you just do"*
* Vcr
Agora calo-me e deixo os significados para os The XX. Eles sabem mais, são analógicos há muito tempo.
"When I find myself by the sea, in anothers company by the sea
When I go out the pier, gonna die and have no fear
Because you, you just know, you just do"*
* Vcr
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segunda-feira, setembro 14, 2009
quinta-feira, setembro 10, 2009
segunda-feira, setembro 07, 2009
"Keys to the City"
Porque raio é que eu nunca tive oportunidade de dançar esta música dos The Go! Team numa pista de dança!? Hem!?
"Um dia ... Corto"

Nunca o fez. Acho que lhe bastava saber que se quisesse... E enlouqueceria de vez por ficar sem ninguém que lhe chamasse Ras.
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Entre parêntesis e antíteses. Em reverência a algumas das mais bem passadas horas da última década
"I pray you'll be filled with hope for as long as you possibly can." *
Esta irrecusável sensação de ser cada vez mais difícil ser-se arrebatado. Pelas coisas, pelas experiências. É solitário sentir quando se sente sozinho. Há com certeza uma quota para isso e eu ultrapassei-a, algures, durante a última década... Cansei-me de sentir para nada e desisti. Passei a olhar para o chão e a tremer na pista de dança quando ouço as primeiras frases do "Mistaken for Strangers" - "You don’t mind seeing yourself in a picture as long as you look faraway, as long as you look removed." Sei o que se segue, conheço demasiado bem as luzes prateadas da cidade de que os The National falam.
"I pray you'll be filled with hope for as long as you possibly can." *
* SFU - "Everybody is Waiting"
Esta irrecusável sensação de ser cada vez mais difícil ser-se arrebatado. Pelas coisas, pelas experiências. É solitário sentir quando se sente sozinho. Há com certeza uma quota para isso e eu ultrapassei-a, algures, durante a última década... Cansei-me de sentir para nada e desisti. Passei a olhar para o chão e a tremer na pista de dança quando ouço as primeiras frases do "Mistaken for Strangers" - "You don’t mind seeing yourself in a picture as long as you look faraway, as long as you look removed." Sei o que se segue, conheço demasiado bem as luzes prateadas da cidade de que os The National falam.
"I pray you'll be filled with hope for as long as you possibly can." *
* SFU - "Everybody is Waiting"
sábado, setembro 05, 2009
No fundo isto é tudo fome, sapatos gastos, tempo a mais
"Parece que chegámos." Parece que sim. Parece que chegámos, mas nunca sei muito bem onde, nem porquê. Principalmente, parece que chegámos com a mesma vontade recorrente de ter de partir. Como uma locomotiva, um comboio.
Estações.
Parece que chegámos mas o que me martela na cabeça é o: "Explicas-me como foi?" Como chegámos até aqui? Andei cego uma vida inteira e não faço ideia de como vim parar aonde estou hoje. Chegámos e é insignificante, como é insignificante partir quando tudo é pequeno, vazio, imediato. Quando não preenche. Ou preenche mas não percebemos o significado. Ou compreendemos o significado mas é tarde de mais. Sou tão novo e tão velho para ser tão novo.
Os olhos das pessoas trazem-me compaixão. Isso é muito pouco...
Estações.
Parece que chegámos mas o que me martela na cabeça é o: "Explicas-me como foi?" Como chegámos até aqui? Andei cego uma vida inteira e não faço ideia de como vim parar aonde estou hoje. Chegámos e é insignificante, como é insignificante partir quando tudo é pequeno, vazio, imediato. Quando não preenche. Ou preenche mas não percebemos o significado. Ou compreendemos o significado mas é tarde de mais. Sou tão novo e tão velho para ser tão novo.
Os olhos das pessoas trazem-me compaixão. Isso é muito pouco...
sexta-feira, agosto 28, 2009
Já abordei o Eternal Sunshine of the Spotless Mind aqui. Se pudesse, colava esta cena à minha pele e revivia-a centenas de vezes. Servia-me dela como um elemento, como nos servimos do sol, do vento, de uma vista para a cidade ou do mar. Um objecto de contemplação que nos protege...
A cena fica guardada aqui no 5 Years. Já a música cantada pelo Beck, vou pô-la no bolso, formato mp3.
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Fórum
Rasgaram-me dos ossos um telescópio e observaram o céu, cortaram-me o pescoço e beberam sangue. Surgem-me da derme palavras, correm-me frases do peito até às costas. Vivo como pedra para ser espaço. Sou bancada, púlpito, palco. Existo em texto, mastigam-me em temas, engolem-me em discussões. O meu corpo tornou-se praça para reuniões, consensos, votos, odes. Fui política, ciência, cultura, filosofia, história. Passo de matéria a informação, infiltra-se-me saber, sustenta-me conhecimento em vez de carne. Sou fórum dia e noite, veículo de ideias, lugar dos outros. Convirjo estrelas, enquadro galáxias, incorporo universos.
sábado, agosto 22, 2009
Morro de tempo. Gasto-o porque não me sirvo dele. Não preciso de ter mais vidas para ler todos os livros, visitar todos os países, experimentar todas as profissões. Desprezo quem se preocupa com estes disparates. Quero morrer mirrado aos 70, perder horas a olhar para o futebol, ver televisão, dormir. Quero dormir cinco vezes por dia, comer e fazer palavras cruzadas o resto do tempo. Aposto no desinteresse, no conformismo, em encolher os ombros, ranger os dentes, fungar e repetir-me. Contar sempre a mesma história, só com entoações diferentes para servir a moral do momento. Ver os malucos do riso e dar gargalhadas pequenas, em convulsões. Baixar a mediania quando falo e ainda opinar soluções para qualquer problema. Olhar para as preocupações dos outros com superioridade, ser chico esperto. Morrer com diabetes, ser enterrado num cemitério tétrico com direito a extrema-unção, campa cinzenta e duas datas. Ser esquecido um segundo depois das pessoas saírem do cemitério. Nunca pecar.
sábado, agosto 15, 2009
"I know that you want the candy" ou música para um sábado de Agosto
Dei de caras com a "Canção do Engate" na minha biblioteca musical. Pela primeira vez li a letra com atenção. Gosto do cariz poético e lúcido com que António Variações olha para o acto. Uma certa antítese do próprio título da canção, o que sugere um grau de desconstrução e gozo do autor.
Entretanto, saquei o novo álbum dos Japandroids ao mesmo tempo que ouvia o "Hospice" dos The Antlers. Arcade Fire meets Bon Iver? Gosto.
Como o Verão não acabou, só as minhas férias, seguem-se os The Raveonettes: "Hallucinations", "Lust", "Dead Song" e, claro, "You want the candy".
"In spite of saddened days
I hooked myself on you
But all my troubled ways
Still walked with me boo hoo"
A banda sonora para banhar-me na estação com os olhos fechados.
Entretanto, saquei o novo álbum dos Japandroids ao mesmo tempo que ouvia o "Hospice" dos The Antlers. Arcade Fire meets Bon Iver? Gosto.
Como o Verão não acabou, só as minhas férias, seguem-se os The Raveonettes: "Hallucinations", "Lust", "Dead Song" e, claro, "You want the candy".
"In spite of saddened days
I hooked myself on you
But all my troubled ways
Still walked with me boo hoo"
A banda sonora para banhar-me na estação com os olhos fechados.
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quarta-feira, agosto 12, 2009
segunda-feira, agosto 10, 2009
Lisboa pagã
Lisboa ofereceu-se-me como divindade pagã. Eu aceitei-a há muito. Levo-a no meu olhar, no reflexo oblíquo das estátuas, na introversão dos miradouros, na tijoleira recostada, nas calçadas eternas. Contemplo-a e rezo-a e bebo-a todos os dias. Entrego-me aos seus caprichos sempre que me obriga a contornar uma praça, a parar num semáforo, a desviar-me de gente. Vivo-a como um peão que espera ser surpreendido nas situações, nos reencontros, na amargura, nos primeiros olhares. Sujeito-me aos cuidados das ruas, aos empurrões, rasteiras, sentidos proibidos, vinganças. Não me importo. Alimenta-me a luz infinita que traça todos os momentos, que é metade da cidade, que é metade Lisboa. Foi sob essa luz que me foi oferecido pela primeira vez a tua cara, a arquitectura dos teus traços, o teu sorriso, os teus gestos. Lisboa desvendou-me a tua existência e eu hesitei. Inspirei e deixei-te ir. Deambulo agora pelos passeios, sento-me nos cafés, olho para as pessoas com uma nova esperança. Carrego-a junto com outras vontades, sonhos, desejos que trago comigo. Espero reencontrar-te nas ruas de Lisboa.
Uptown Uptown Uptown
"sometimes you wonder what you're doing with your life
just work/consume/just work/consume'till you die
sometimes it feels the only time you're alive
is when you go out on a saturday night"
E o Incógnito que nunca mais abre...
"and it's so hard
and it's so hard
and it's so hard
to get by in this town
and it's so hard
and it's so hard
and it's so hard
to survive in this town" *
E eu que não me canso desta música...
*"Uptown" dos Primal Scream, versão Calvin Harris
just work/consume/just work/consume'till you die
sometimes it feels the only time you're alive
is when you go out on a saturday night"
E o Incógnito que nunca mais abre...
"and it's so hard
and it's so hard
and it's so hard
to get by in this town
and it's so hard
and it's so hard
and it's so hard
to survive in this town" *
E eu que não me canso desta música...
*"Uptown" dos Primal Scream, versão Calvin Harris
Na estação do Metro do Cais-do-Sodré, é o coelho que me põe a sorrir. O tamanho, o relógio, o “o” que falta na frase “estou atrasad(o)”. Gostava que ele olhasse para mim, levantasse a mão num aceno e desatasse a correr, libertando-se dos azulejos.
Um coelho de contornos azuis, gigante, em velocidade pelos túneis do Metro de Lisboa.
Um coelho, de perna traçada, sentado num banco da estação do Saldanha, olha para o relógio, suspira, desvia os olhos para a linha e pondera: “Espero pelo metro ou arranco corredor abaixo em direcção ao Marquês?”
Um coelho de contornos azuis, gigante, em velocidade pelos túneis do Metro de Lisboa.
Um coelho, de perna traçada, sentado num banco da estação do Saldanha, olha para o relógio, suspira, desvia os olhos para a linha e pondera: “Espero pelo metro ou arranco corredor abaixo em direcção ao Marquês?”
sexta-feira, agosto 07, 2009
quarta-feira, agosto 05, 2009
Abortei-me
Dancei demasiado tempo contigo. Tropecei sempre nos mesmos passos sem querer compreendê-los. Esqueci-me de como se aprendia até que te perdi. Perdi-te. Fartaste-te, gritaste, berraste tanto. Não pelo desespero ou pela cura, mas para que os teus pulmões pudessem voltar a respirar.
Perdi-te e sufoco com a perda. Sufoco pela perda ser merecida, ser passiva, ser cuspo, ser saliva. Transparente, densa, carregada como um forno, opressiva, imobilizadora.
Dancei demasiado tempo contigo. Não aprendi. Perdi-te e recomeçar é tão impensável como ficar sem ti. Recomeçar é tão doloroso como o grito que te saiu da boca. Recomeçar é perder a perda e abandonar o que me resta de ti.
Dancei durante tanto tempo contigo. Gastei todos os gestos. Gastei todos os erros. Tornei-me inviável com a tua ausência. Abortei-me.
Perdi-te e sufoco com a perda. Sufoco pela perda ser merecida, ser passiva, ser cuspo, ser saliva. Transparente, densa, carregada como um forno, opressiva, imobilizadora.
Dancei demasiado tempo contigo. Não aprendi. Perdi-te e recomeçar é tão impensável como ficar sem ti. Recomeçar é tão doloroso como o grito que te saiu da boca. Recomeçar é perder a perda e abandonar o que me resta de ti.
Dancei durante tanto tempo contigo. Gastei todos os gestos. Gastei todos os erros. Tornei-me inviável com a tua ausência. Abortei-me.
segunda-feira, agosto 03, 2009
Segunda-feira sem chuva
Summer on. Summer off. Summer on and off, again.
Agosto mal começou e já traz festas dadas, portas fechadas e finais sem direito a início. A estação é só uma, não estou louco, é só a passagem interna do calendário. Do sol tórrido ao lado da aragem gélida que sopra por baixo da sombra da árvore. Como se quatro estações num só dia fosse outra forma de envelhecer.
E hoje já é segunda-feira. O fim-de-semana acabou.
Agosto mal começou e já traz festas dadas, portas fechadas e finais sem direito a início. A estação é só uma, não estou louco, é só a passagem interna do calendário. Do sol tórrido ao lado da aragem gélida que sopra por baixo da sombra da árvore. Como se quatro estações num só dia fosse outra forma de envelhecer.
E hoje já é segunda-feira. O fim-de-semana acabou.
quarta-feira, julho 29, 2009
Exercício
Pediram-me para ser claro. Estava para iniciar o texto assim: "hirto, tenso, rijo", ou qualquer coisa do género... Mas apontaram-me o excesso de símbolos. Juro que iria continuar nesta entoação do "rijo, hirto" ou "tenso". Ia prolongar-me, desafiando todos os sinónimos do estado sólido. Mais do que o estado de estar sólido, a incapacidade de quebrar a tensão, de me libertar. É o que me falta, a verdadeira distensão, a interior. Não quero ser mole, não quero deixar-me ir nas situações ou mergulhar em erros. Mas diz-se que não há nada de mal em arriscar, em piscar o olho, em desafiar. Em viver. E falta-me, juro, falta-me. Só sei dividir-me em dois, na clausura de uma concha ou na frontalidade dos olhos transparentes. Quando o resto do mundo flui, o resto do mundo dança. Logo eu que gosto tanto de dançar... Danço desmesuradamente, não me sinto nem rijo, nem hirto, nem tenso. Fluo com transparência. Sólido e claro.
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segunda-feira, julho 27, 2009
segunda-feira, julho 20, 2009
Se alguma vez estive perto de saber realmente o que é música indie, então os responsáveis são os "The Pains of Being Pure at Heart". São eles que estão a ganhar o meu Verão, são eles que preenchem os espaços entre as memórias.
quinta-feira, julho 09, 2009
domingo, julho 05, 2009
e as noites são para dançar
"we don't wanna wait no time no time" dizem os CHEW LiPS. acertam. não queremos perder tempo. queremos tudo rápido, instantâneo, agora. simples, via usb, banda-larga ou bluetooth, de borla. sem pagamento, sem responsabilidades, sem dívidas, sem riscos, sem trade-off. no amor, na amizade, no direito, no trabalho, no país. com um sorriso, hifenizado, sem custo. já.
e as noites são para dançar
e as noites são para dançar
sábado, julho 04, 2009
"Waltzing Matilda" - Tom Waits
Esta é para mim.
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