Segunda-feira, Novembro 30, 2009

Apaixonei-me pelos Slow Club

Domingo, Novembro 29, 2009

"I can give it all on the first date I don't have to exist outside this place."

Basta desfazer-me de um pouco mais de humanidade e a pureza dos The XX deixa de me incomodar.

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

E se eu tiver medo das alturas? E se eu não conseguir? E o que é que consigo se conseguir? E abraçar a tristeza? Mascá-la resolutamente. Engolir os maus presságios, viver de opressões. Deixar de sair de casa. "I love the valley." Não tento ser tudo, nem tenho gosto em ser nada. E o inverso. E a vontade. E quase morro sem tentar começar a ser.

O melhor berro da pop na última década

"Je t’aime the valley
Je t’aime the valley OH!!!
I am an orphan de la valley
And I won’t rest until I forget about it
I won’t rest until I don’t care
LA LA LA LA LA LA LA"

Não é "oh!!!" é AAAARAHHHHHHH!!!!!!!!!!. Expludam-me contra uma parede, por favor.

O Inverno aproxima-se e o meu dress code passa-se a reger por um sistema de camadas.

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Queria ser figurante deste filme e gritar "I can Hardly Wait" *

"Lips cracked dry
Tongue blue burst
Say angel come
Say lick my thirst
It's been so long
I've lost my taste
Here Romeo
Make my water's break"

* O "Strange Days" é só pérolas, a Juliette Lewis a cantar PJ Harvey é uma delas.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Ainda os Elbow

"I can work till I break but I love the bones of you. That, I will never escape."
Só agora reparo no piscar de olhos ao "Summertime" que se ouve no final do "The bones of you", dos Elbow.

Mellow

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Vai ser sempre demasiado tarde para a infância

É na frase que abre o livro de Doris Lessing no seu "O Sonho mais Doce" que tudo começa e acaba. "E partem pessoas que foram filhos afectuosos." Pressente-se o horror na universalidade e melancolia destas palavras, num livro que, se fala do passar das décadas da segunda metade do século XX, é também uma análise lúcida do que é a família e do que são as relações familiares.

Voltei hoje a estas palavras. Aos "filhos afectuosos" que são uma oportunidade para cada família, um começo e fim de amor antes de serem mais nada. Que, invariavelmente, se transformarão em adultos. Vai ser sempre demasiado tarde para a infância.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Os tornados são personagens recorrentes nos meus sonhos.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

O teórico e o real

Eu: "Vemo-nos sábado à tarde?"
Ela: "Claro. Sábado de manhã não existe. É conceptual." *


* SMS talk.

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

A sétima saudade

Há sete formas de sentir saudade e a última é só minha. Inventei-a agora. Sinto a mais cristalina das saudades passado a ausência. É aí que ela transborda do meu inconsciente, inunda-me o cérebro e liberta-se pelos olhos. É quando volto a ver uma pessoa de quem eu gosto muito, passado meses ou anos de afastamento. Volto a olhar para os seus olhos e abate-se em mim a realidade da perda. Dos dias empobrecidos que se passaram sem ter tido a sua companhia, os dias em que a realidade me subtraiu a sua dimensão.
A sétima palavra mais difícil de se traduzir no mundo, disseram eles, é a saudade. Um número carregado. Hoje sinto outro tipo de saudade, mais difusa, menos preenchida, impalpável e, no entanto, universal. Saudade de viver. Cai na sexta posição.
O meu segundo galão não teve direito a fotografia mas aqueceu-me a alma.

* Inauguro aqui um novo tag: Bebo galões and I'm not sorry. Com a perfeita consciência de que poderá vir a não ser utilizado mais vez nenhuma.
Falta-me o ir por aí. Os instintos.

O meu primeiro galão

O meu primeiro galão tem alguns meses. Entrei num café para tomar o pequeno-almoço. Estava febril, a garganta latejava, queria algo quente. Saíram-me as palavras pela boca, descontroladas, em jeito de menino que adivinha ir viver uma descoberta. "Era um galão, se faz favor!"

Mãos rápidas, habituadas à tarefa, puseram a bica a sair enquanto aqueciam o leite. Depois, o gesto formidável: num só movimento o café chocou com o leite e durante um momento existiram duas fases dentro do copo.

(lembro-me de reconhecer o fenómeno, de o ter identificado na memória. mas desta vez eu era o culpado. testemunhei o branco do leite a ficar tingido. alterado. morto. e um segundo depois, quando tudo parecia estar perdido, a renovação)

O galão ficou pronto. Esvaziei os dois pacotes de açúcar, dei utilização à colher e levei a bebida à boca. O gosto não era inteiramente novo mas soube-me maravilhosamente...

Senti-me suficientemente velho para apreciar o galão sem culpas. Reconheço na situação a novidade ingénua da descoberta, feita por alguém que se aprisionou a um mundo falso, manufacturado (neste caso sem galões) e que teve a oportunidade de se libertar.

Agora, que o frio chegou e voltei a olhar para esta fotografia, apetece-me repetir a experiência.

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Não é para fugir ao frio...

... é só um contraponto mental. Um festim.

Cais das colunas

O abrasador sol do meio-dia serve-se do nevoeiro para confundir as estações. Sentado nos degraus que se afundam na água turva, o meu corpo está indeciso se escolhe o calor ou o frio. À minha frente, duas gaivotas dão vida a um portal que encanta o Tejo. As aves consentem o vislumbre dos cacilheiros que fogem rio adentro, escoltados pelo nevoeiro, em direcção a um sonho. Parecem ter um lugar cativo, empoleiradas no topo das duas colunas. Uma está virada para a terra, para mim, os olhos da outra dirigem-se para a água infinita que se transforma em limalha de nuvem. Sigo-a no olhar em direcção ao sonho que me aquece e me arrefece, que me tira casa e acrescenta-me vida.
E a 2 de Novembro o Outono finalmente instalou-se.

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Um workshop. Quero um workshop para falar à Chungking Express. Como é que ninguém se lembrou disto antes? Quero um workshop e a partir daí vou tornar-me empático com sabonetes que engordam, sumos de ananás quase fora do prazo e toalhas que choram. Vou sair para a rua e os meus olhos vão delimitar microcosmos e as palavras vão soar a sonhos. Tenho tantas saudades deste filme.

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Fartei-me dos piscares de olho, das cumplicidades, das partilhas de pensamentos brilhantes. Não tenho nada de novo para dizer, não trago nenhuma inovação na forma de mastigar referências. "Chiclete mastiga, chiclete deita fora." Não era isso que os Taxi diziam? Acertaram.
O nevoeiro desce à cidade. Ninguém sabe o que fazer com ele. Poucos estão habituados à cegueira.

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Não é na sala vermelha do Lynch que eu quero ficar. Paro antes no salão onde Julee Cruise costuma cantar o seu "The Nightingale" e troco a música. "Oh I buried you today" arranca um duo qualquer. Sento-me a ouvir a melodia rápida e triste de um amor morto, na companhia de uma bebida e de outros espectadores com olhos vidrados de quem tem o coração ainda mais solitário. "I know a heart is hard to please when love fades" continuam as duas vozes, sem ligar a uma luta, a um amor escondido, a uma bela rapariga cheia de mistérios que foi morta. Consigo evitar que a minha atenção se disperse na mesa que tomba, na faca que sai do bolso de alguém, abstenho-me em ler os sinais de todo o horror que está subjacente à cena e sigo atento os lábios da cantora e do cantor compenetrados a contarem a sua história. "But my heart was on fire, but now I cry" terminam as vozes antes do final da música. Eu acabo a bebida, levanto-me e saio porta fora para um cruzamento escuro, deserto, onde o vento sopra e os semáforos abanam.

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

A música no volume certo, por favor. Bem alto.
A vida vai tornando-se irrevogável. Com traços, riscos precisos, balas. A realidade sucede-se sempre com uma capacidade espantosa de reinventar o que é inviável. Quando olhamos para as nossas duas mãos, uma está a sangrar as perdas e a outra a agarrar-se aos ganhos. Nunca sabemos muito bem como é que chegamos ao final do dia sem nos termos despenhado. Principalmente quando se sabe identificar os motivos de cada ferida. Vamos correndo e arrancam-nos pedaços de carne ao mesmo tempo que colocam outros. Parece que a vida já não se reconhece na generosidade de oferecer-nos nada sem ser como resposta à culpa de nos ter tirado forças. Vivemos em perda e, pior, esquecemo-nos de que um dia a morte tornará tudo definitivamente inviável.

Sábado, Outubro 24, 2009

Eu sei que a música e o vídeo já têm seis anos e eu devia colocar o "Last Dance", o single do novo álbum dos The Raveonettes. Mas adoro a música, adoro o som do início que parece um grito desenfreado. Além disso acho o "Last Dance" meio meh. Se o próximo single for o "Bang!", o "Boys Who Rape (Should be Destroyed)" ou o fabuloso "D.R.U.G.S." - três das músicas que tornam o "In and Out of Control" obrigatório - então prometo colocar aqui. De resto, o que eu gosto nesta banda é a mescla entre um lado dark e outro mais luminoso e o "That Great Love Song" tem isso tudo.

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Olhei para o passado e vi as pessoas que nunca mais vão estar juntas para tirar uma fotografia, e vi as pessoas que nunca mais vão estar reunidas para ter uma conversa. Olhei para o passado, e ninguém vai se importar se há coisas que vão continuar a ter significado para mim.
De onde é que veio a matéria? Essa é a única questão que vale a pena pôr à Igreja. Bem mais interessante do ponto de vista filosófico do que um simples registo anti-bíblico... Mas isso sou eu. Somos matéria, tudo o que há em nós está constantemente a ser reciclado e substituído ao longo da vida. Desse ponto de vista somos a cópia de nós próprios, continuamente, em velocidades diferentes consoante a molécula em que nos focamos. Se houvesse uma máquina capaz de reproduzir a nossa estrutura molecular até ao mais ínfimo pormenor, de um ponto de vista puramente físico seria, à partida, capaz de criar um duplo. Se eu visse um duplo meu acho que o abraçava, espero que se ele me visse, fizesse o mesmo.

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Spoon para arrancar com a semana


"And I got nothing to lose but
Darkness and shadows
Got nothing to lose but
Emptiness and hang-ups"*

* "Got nuffin"

Domingo, Outubro 18, 2009

Era uma Time Machine que eu queria. Daquelas em formato pod, brancas, bem kubrickianas que funcionasse à base de um botão vermelho e um pensamento-desejo. Saltava para uma praia deserta dos 50's com o mesmo gosto que tenho andado a ouvir The Drums, The Raveonettes ou Washed Out. A culpa é deles, das suas sonoridades laid back, das minhas obsessõezinhas e deste sol. Este sol!!! O que é que se faz com este sol? Só me vem à mente pranchas de surf, areia e o mar.