sexta-feira, outubro 31, 2008

A noite finalmente terminou. O dia hoje também não vai dar tréguas...

quinta-feira, outubro 30, 2008

quarta-feira, outubro 29, 2008

505

E agora fico aqui, a ouvir a voz do vocalista dos Arctic Monkeys. E deixo as lágrimas abandonarem-me a cara repetidamente até criarem sulcos no chão.

"But I crumble completely when you cry, It seems like once again you've had to greet me with goodbye, I'm always just about to go and spoil a surprise, Take my hands off of your eyes too soon"

E sinto um turbilhão inexplicável. Um misto de dor e prazer e angústia. E não percebo, mas tenho a certeza da dor nos meus lábios salgados. E volto a carregar "play" para tentar desvendar algo novo dentro de mim.

"I'm going back to 505, If it's a 7 hour flight tour a 45 minute drive, In my imagination you're waiting lying on your side, With your hands between your thighs,"

* Este é para ti, J.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Baby steps

Dificuldades da vida adulta: saber que há gente que não gosta de nós e viver bem com isso; saber que se fez mal às pessoas por egoísmo, por desatenção ou por pretensão; perceber que os dois acontecimentos podem estar relacionados; o mais difícil: olhar para o espelho, aceitar as consequências dos nossos actos, não nos sentirmos mal connosco e perceber que a única coisa a fazer é não voltar a cometer os mesmos erros com outras pessoas.

domingo, outubro 26, 2008

Foi feliz na amargura. Viveu de acordo com as melhores peças de teatro na Broadway. Viveu um romance pós-guerra nos moldes do sonho americano. Cheio de cores e de roupa luxuosa, de corpos e suor, de tiques e ardor. Que começou e acabou como uma peça de Tennessee Williams, com segredos expostos e horrores da natureza humana, com obsessões e crueza. Um romance amargo com uma banda sonora privada. Ouvia Rufus Wainwright todas as noites, depois de uma conversa ao telefone, uma caminhada na noite, uma passagem por um quarto que nunca se tornou seu conhecido.
Raios, qual "mudança da hora"? Qual horário de Inverno? As minhas mãos já me avisaram que os dias quentes acabaram. As minhas mãos estão frias e agora só vejo melhorias lá para Abril. E nem me venham falar de "coração quente"! Que até esse arrefece, é só uma questão da temperatura exterior descer o suficiente...

Quem dera fosse amanhã...

E já só penso, na "minha alegre casinha", que modesta ou não vai estar preparada para histórias novas. E já só penso em descidas ao Lux, subidas ao Bairro, viagens ao Incógnito. O Cais do Sodré tão perto e o miradouro da Graça logo ali. O trabalho à distância de uma corrida e de um Metro.
E já só penso em uma vida. Com sons antigos e futuros, que juntos criam momentos e memórias novas. Um imaginário total. E já só penso em tudo isto bem acompanhado. Com outra família, aquela que se escolhe.

sábado, outubro 25, 2008

Desculpem a catadupa de posts, eram as saudades da escrita bloguística.

Outra vez o Beck de "Modern Guilt"...

... que nos escreve o desalento com elegância.

"I've been drifting on this wave so long
I don't know if it's already crashed on the shore"*


* "Volcano" em "Modern Guilt"
À entrada do seu romance "A Fenda", Doris Lessing cita o poeta inglês Robert Graves.
"O homem faz, a mulher é."

sexta-feira, outubro 24, 2008

Whisper

"I'll be your mirror
Reflect what you are,
in case you dont know

I'll be the wind,
the rain and the sunset
The light on your door
to show that you're home

When you think the night has seen your mind
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
cause I see you"*

Cantem baixinho aos ouvidos dos vossos amantes. Estamos em 1966, e o desalento já é velho. Sussurrem aos ouvidos dos vossos amantes e finjam que esta voz ainda não está morta e vos é emprestada durante uns momentos. Cantem, numa praia desconhecida, ao som de raios de sol a nascer, de ondas a descolar, de rochas a zumbir.

O sonho acordou e recusa-se a adormecer...

* "I'll Be Your Mirror" - The Velvet Underground and Nico