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sábado, outubro 29, 2011
Sobre a escrita
É tão isto mas é sempre ao lado.
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domingo, outubro 23, 2011
Days go by
Mordo o maxilar. Não sei fazer melhor. Desgasto-o, inconsciente. Macero a junção dos ossos em sonhos, longínquo. Ganho um problema. Já disse que não sei fazer melhor. Tão pouco sei curar-me. Não quero. É como levantar o volume de uma canção para antecipar a surdez, para activar a dor. É uma aproximação. A música preenche o cérebro, os sentidos estalam e é só ouvir. Ou submeto-me a um ecrã e aí é só ver. Até os olhos enegrecerem e o sono apoderar-se. Então volto a ruminar. Até ao dia seguinte.
quarta-feira, dezembro 30, 2009
À espera de 2010
Nem estrelas ou signos, roupa nova, passas ou saltos de uma cadeira para o chão. Sirvo-me de gestos mais comuns para fechar a porta a 2009 e receber de braços abertos 2010. Uma frase inspirada numa música, a organização do calendário da próxima semana, arrumar o quarto, libertar-me de excessos mentais, não ruminar em assuntos mortos. Abrir espaço na prateleira do armário da casa de banho e encher um saco com um frasco de perfume vazio, cremes fora de validade, um plástico que já não guarda lâminas de barbear, uma escova de dentes usada que não chegou a ter dono.
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quarta-feira, novembro 11, 2009
quinta-feira, novembro 05, 2009
A sétima saudade
Há sete formas de sentir saudade e a última é só minha. Inventei-a agora. Sinto a mais cristalina das saudades passado a ausência. É aí que ela transborda do meu inconsciente, inunda-me o cérebro e liberta-se pelos olhos. É quando volto a ver uma pessoa de quem eu gosto muito, passado meses ou anos de afastamento. Volto a olhar para os seus olhos e abate-se em mim a realidade da perda. Dos dias empobrecidos que se passaram sem ter tido a sua companhia, os dias em que a realidade me subtraiu a sua dimensão.
A sétima palavra mais difícil de se traduzir no mundo, disseram eles, é a saudade. Um número carregado. Hoje sinto outro tipo de saudade, mais difusa, menos preenchida, impalpável e, no entanto, universal. Saudade de viver. Cai na sexta posição.
A sétima palavra mais difícil de se traduzir no mundo, disseram eles, é a saudade. Um número carregado. Hoje sinto outro tipo de saudade, mais difusa, menos preenchida, impalpável e, no entanto, universal. Saudade de viver. Cai na sexta posição.
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sexta-feira, outubro 30, 2009
Um workshop. Quero um workshop para falar à Chungking Express. Como é que ninguém se lembrou disto antes? Quero um workshop e a partir daí vou tornar-me empático com sabonetes que engordam, sumos de ananás quase fora do prazo e toalhas que choram. Vou sair para a rua e os meus olhos vão delimitar microcosmos e as palavras vão soar a sonhos. Tenho tantas saudades deste filme.
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quinta-feira, outubro 29, 2009
Fartei-me dos piscares de olho, das cumplicidades, das partilhas de pensamentos brilhantes. Não tenho nada de novo para dizer, não trago nenhuma inovação na forma de mastigar referências. "Chiclete mastiga, chiclete deita fora." Não era isso que os Taxi diziam? Acertaram.
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sexta-feira, outubro 23, 2009
De onde é que veio a matéria? Essa é a única questão que vale a pena pôr à Igreja. Bem mais interessante do ponto de vista filosófico do que um simples registo anti-bíblico... Mas isso sou eu. Somos matéria, tudo o que há em nós está constantemente a ser reciclado e substituído ao longo da vida. Desse ponto de vista somos a cópia de nós próprios, continuamente, em velocidades diferentes consoante a molécula em que nos focamos. Se houvesse uma máquina capaz de reproduzir a nossa estrutura molecular até ao mais ínfimo pormenor, de um ponto de vista puramente físico seria, à partida, capaz de criar um duplo. Se eu visse um duplo meu acho que o abraçava, espero que se ele me visse, fizesse o mesmo.
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domingo, outubro 18, 2009
Era uma Time Machine que eu queria. Daquelas em formato pod, brancas, bem kubrickianas que funcionasse à base de um botão vermelho e um pensamento-desejo. Saltava para uma praia deserta dos 50's com o mesmo gosto que tenho andado a ouvir The Drums, The Raveonettes ou Washed Out. A culpa é deles, das suas sonoridades laid back, das minhas obsessõezinhas e deste sol. Este sol!!! O que é que se faz com este sol? Só me vem à mente pranchas de surf, areia e o mar.
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quinta-feira, outubro 15, 2009
Dizia-te eu que não chorava há muito, há mais de um ano, há quase dois. E mesmo dessa vez foi um esforço, um arranque, como o riso que dei quando te contei isto. Ri-me por não chorar, nem gritar. Pela sombra que me tinge a face cinzenta e me afasta passo a passo de sentir.
Não me perguntes, sabes bem que eu já deveria estar de olhos fechados...
Não me perguntes, sabes bem que eu já deveria estar de olhos fechados...
quinta-feira, outubro 08, 2009
"Sinto-me uma fraude." - dizia ela. Eu ri-me em triplicado. Por também sentir o mesmo, por tê-la em tão boa consideração, por ela, ao dizer-me aquilo, aumentar a consideração que tenho pelo seu trabalho. Calculo que seja uma boa rede superior - esta da "fraude", não nos deixa subir de mais, ir até às estrelas e esquecermo-nos do resto. Dar-nos demasiada importância. Apesar desta nuvem cinzenta constante ser outra forma de nos darmos importância a mais. Vou tentar adoptar outro espírito, que nada tem de intermédio, mas que ataca o cerne do problema: "Sou só mais um."
quinta-feira, outubro 01, 2009
Hoje teclo ao som dos Broken Social Scene para deixar aflorar em mim o tempo outonal. Não tanto pela perda ou nostalgia, mais pela reclusão através do meio sorriso. Não é uma rejeição da alegria, é só um resguardo de um copo um terço cheio para deixar, calmamente, voltar a encher.
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terça-feira, setembro 22, 2009
A manhã que fechou o Verão
Está-se bem na manhã de Lisboa com o céu azul imponente e a cidade a ouvir-se. As manhãs substituem a solidão de uma forma delicada, entre meandros de luz e de céu. Há mais violência nas trocas que se faz com a noite - parece que se perde sempre algo. Entretanto, há uma nova estação acabada de chegar recheada de oportunidades. O meu primeiro Outono em Lisboa. Fico à espera das folhas caídas, dos lugares cinzentos e húmidos, do frio. Ainda com saudades do que virá.
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sábado, setembro 19, 2009
"And don't you know sometimes I could just kill for a good conversation"*
"Don't wanna be nobody's burden so you just hit the dance floor
(...)
Hey, am I making any sense at all?
Does anyone here speak English?
Cuz everybody's acting like I'm crazy
Hey, is this thing on?"*
* !!! "Hello? Is this thing on?"
(...)
Hey, am I making any sense at all?
Does anyone here speak English?
Cuz everybody's acting like I'm crazy
Hey, is this thing on?"*
* !!! "Hello? Is this thing on?"
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quarta-feira, setembro 16, 2009
"But you, you just know, you just do"*
Faço eco no meio digital, quando o que me apetecia era ouvir vozes em analógico. Outras, muitas, como as estrelas no campo, porque na cidade só se descortinam uma ou duas nos céus, à noite. É tanto o ruído, que só consigo prestar atenção a algumas vozes e muitas vezes é só a minha, de que estou particularmente farto. Talvez seja por isso que fale para aqui...
Agora calo-me e deixo os significados para os The XX. Eles sabem mais, são analógicos há muito tempo.
"When I find myself by the sea, in anothers company by the sea
When I go out the pier, gonna die and have no fear
Because you, you just know, you just do"*
* Vcr
Agora calo-me e deixo os significados para os The XX. Eles sabem mais, são analógicos há muito tempo.
"When I find myself by the sea, in anothers company by the sea
When I go out the pier, gonna die and have no fear
Because you, you just know, you just do"*
* Vcr
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sexta-feira, agosto 28, 2009
Já abordei o Eternal Sunshine of the Spotless Mind aqui. Se pudesse, colava esta cena à minha pele e revivia-a centenas de vezes. Servia-me dela como um elemento, como nos servimos do sol, do vento, de uma vista para a cidade ou do mar. Um objecto de contemplação que nos protege...
A cena fica guardada aqui no 5 Years. Já a música cantada pelo Beck, vou pô-la no bolso, formato mp3.
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segunda-feira, agosto 10, 2009
Lisboa pagã
Lisboa ofereceu-se-me como divindade pagã. Eu aceitei-a há muito. Levo-a no meu olhar, no reflexo oblíquo das estátuas, na introversão dos miradouros, na tijoleira recostada, nas calçadas eternas. Contemplo-a e rezo-a e bebo-a todos os dias. Entrego-me aos seus caprichos sempre que me obriga a contornar uma praça, a parar num semáforo, a desviar-me de gente. Vivo-a como um peão que espera ser surpreendido nas situações, nos reencontros, na amargura, nos primeiros olhares. Sujeito-me aos cuidados das ruas, aos empurrões, rasteiras, sentidos proibidos, vinganças. Não me importo. Alimenta-me a luz infinita que traça todos os momentos, que é metade da cidade, que é metade Lisboa. Foi sob essa luz que me foi oferecido pela primeira vez a tua cara, a arquitectura dos teus traços, o teu sorriso, os teus gestos. Lisboa desvendou-me a tua existência e eu hesitei. Inspirei e deixei-te ir. Deambulo agora pelos passeios, sento-me nos cafés, olho para as pessoas com uma nova esperança. Carrego-a junto com outras vontades, sonhos, desejos que trago comigo. Espero reencontrar-te nas ruas de Lisboa.
quarta-feira, julho 29, 2009
Exercício
Pediram-me para ser claro. Estava para iniciar o texto assim: "hirto, tenso, rijo", ou qualquer coisa do género... Mas apontaram-me o excesso de símbolos. Juro que iria continuar nesta entoação do "rijo, hirto" ou "tenso". Ia prolongar-me, desafiando todos os sinónimos do estado sólido. Mais do que o estado de estar sólido, a incapacidade de quebrar a tensão, de me libertar. É o que me falta, a verdadeira distensão, a interior. Não quero ser mole, não quero deixar-me ir nas situações ou mergulhar em erros. Mas diz-se que não há nada de mal em arriscar, em piscar o olho, em desafiar. Em viver. E falta-me, juro, falta-me. Só sei dividir-me em dois, na clausura de uma concha ou na frontalidade dos olhos transparentes. Quando o resto do mundo flui, o resto do mundo dança. Logo eu que gosto tanto de dançar... Danço desmesuradamente, não me sinto nem rijo, nem hirto, nem tenso. Fluo com transparência. Sólido e claro.
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sábado, julho 04, 2009
"Waltzing Matilda" - Tom Waits
Esta é para mim.
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