quarta-feira, dezembro 31, 2008

Não quero esticar 2008, mas sou um homem de calendário, por isso aproveito datas. Prolongo-me na madrugada de 31 de Dezembro e quero acordar cedo - tudo ao mesmo tempo. Para hoje, prometo-me ainda um quarto arrumado, um cuidado no vestuário, uma saída de casa a horas certas. Quero dar um beijo à minha mãe antes de apanhar o comboio e seguir para Lisboa a tempo de uma longa caminhada with a friend of mine. Depois, espera-me um jantar brega cheio de olhares cúmplices - e uma grande comemoração!

2009 é amanhã. Tenho muitos desejos para o próximo ano, um dos mais importantes é cumprir-me. Hoje o 5 years faz dois anos, também ele vai-se cumprindo...

segunda-feira, dezembro 29, 2008

"Heartbeats"

"To call for hands of above to lean on
..."


Ficam as reticências em vez do próximo verso dos "The Knife".


Aproveito para deitar a primeira mão de terra em cima de 2008 - um caixão de coisas boas. As perdas, as angústias e as dores acumulam-se na perna esquerda e entram connosco no ano novo.


Está tudo a respirar?

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Viajei protegido como se estivesse dentro de um couraçado e não de uma bagageira. Deitado, de lado, mais perto do que nunca da estrada e das curvas, mais perto do que nunca do chão. Fui, com a certeza de estar seguro por serem vocês que estavam à frente, a ditarem o rumo do caminho, a permitirem a mudança.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

O nevoeiro chegou atrasado, finalmente ninguém podia ver que eu estava perdido.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Happy // Together













vamos culpar Buenos Aires? ou o quarto pequeno com pulgas; ou a cascata gigante no final da longa estrada, no meio do mapa. invisível.

vamos culpar a despontuação dos dias? ou o compasso do tango. próximo, junto, colado, suado, impossível.

vamos certamente culpar o gravador de cassetes. o choro convulsivo, as lágrimas que ficaram coladas na fita, que foram atiradas para um mar a partir de um farol longínquo, que desapareceram na ponta de um comboio veloz, numa cidade que fica do outro lado do mundo.

Absurdos neuro-fisiológicos

Às vezes, estar unavailable, é uma coisa imposta pelo corpo.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Perdi-me no asfalto molhado das ruas de Lisboa. Perdi-me na noite escura.

"It's not about you babe, soon you'll be somewhere
It's not about these streets, they'll be here forever
It's not about anything, anyone at all
It's just that now we feel so small in the heart of the world"

"the heart of the world" X-Wife

quinta-feira, dezembro 04, 2008

A música do post abaixo grita-me aos ouvidos estes versos...

"And in the darkened underpass
I thought oh god, my chance has come at last
(but then a strange fear gripped me and I Just couldnt ask)"

... e não há nada a fazer.

sexta-feira, novembro 21, 2008

There is a light that never goes out

Como se uma linha por cada mês bastasse para contar o ano... Rapaz tolo. Sentaste-te num bar alheio a ti. Pediste uma bebida, bebeste em estilo de pausa e prosseguiste. Como se bastasse parar.

Rapaz tolo...




Levem-me, por favor.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Gostava de ser o vampiro Bill e dizer "Sookie".

domingo, novembro 16, 2008

"23" - Blonde Redhead

Posso ser eu.

"How many times the world go around?"

Mas acredito que a essência do "Twenty three" dos Blonde Redhead esteja toda no verso acima. Os cinco minutos e 18 segundos da canção assentam nesta questão.

Já ouvi tantas vezes o "Twenty three"... Nos últimos tempos faz-me especial companhia no quarto, a partir do leitor de cds, numa repetição obsessiva, in loop, num concentrado de loops. Já li a letra toda e continua a ser este o único verso que pronuncio, que me sai da boca e me ocupa os neurónios (que me tem sustentado em momentos de angústia, quando ao definir per se a música me ajuda a definir de forma visceral aquilo que sinto).

Há os acordes iniciais. Há o refrão. Mas é "o mundo gira" no timbre da Kazu Makino que despoleta o essencial da mensagem, o carácter circular da vida, a força telúrica subjacente. Quantas vezes é que o universo ainda vai explodir? Quantas vezes é que a velocidade febril do amor te feriu?


"How many times, as long as you wish..."


Quantas vezes é que te queres assim, como és, a acontecer dessa forma?

"How many times, the world go around?"

As vezes que se quiser, como o ponteiro do relógio, como o começar de uma semana. As vezes que quisermos, as repetições que forem necessárias, os actos de sempre. A procura do mesmo sofrimento na mesma forma de amar, na mesma ideia da vida, na mesma forma em como acordamos. A mesma dor, na lástima, no medo, na vontade contínua de querer evitar-se o sofrimento.

"23 seconds, in you I see a chance"

Há mais coisas. Há corações marcados dentro da voz da cantora, dentro da bateria, dentro da guitarra. Há a perda contínua e crescente que se cristaliza, perfeita, na morte.

Há a mudança.

"23 magic, if you change the name of love"

O sentimento condutor e letárgico em que se transforma a repetição dos dias. Poder-se alcançar a mudança. Mudarmos o nosso nome sem nos desapaixonarmos do mundo ou de nós.

Mudar para amar.

"As long as you live, how many times"

Posso ser eu...

"The world go around?"

* O "Twenty three" dos Blonde Redhead pode ser ouvido aqui.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Acordei à procura da meia estação em mim. Saí para a rua com os preconceitos das folhas castanhas e dos corações amargos. Mergulhei no alcatrão das ruas, quis ser um extraterrestre com pele cor de petróleo e perscrutar os olhos das pessoas. Quis dar-me a oportunidade de me descobrir através dos gritos e do ódio delas. Ser espancado, ser violentado e achar-me deitado numa poça, mergulhado num charco de água gelada com sangue. Dar à humanidade a derradeira hipótese de me atravessar com o seu sofrimento, antes de voltar para casa e transformar-me na próxima estação.

terça-feira, novembro 11, 2008

A esquizofrenia da globalização

Perfumes conhecidos em corpos de nacionalidades diferentes.

Quando se vive um momento icónico, daqueles que definem a contemporaneidade

Alone. Sete da manhã num foreign hotel. Estou sentado com um pequeno-almoço escolhido by me. À minha frente tenho um quadro pintado a partir de uma fotografia da Marilyn Monroe. She sends me a kiss, está num fato de banho branco, que lhe dá aquela expressão voluptuosa mas natural. Música ambiente, tons grená all around me. Muito chill out, muito calmo... There's a flight to take, Lisboa está à distância de umas horas...

sábado, novembro 08, 2008

Eu acho que é a voz do tipo dos Spoon e a música que está por trás, porque a frase até é banal. Mas quando eu oiço - "every morning, i've got a new chance" - é como se voltasse a acordar. Mesmo que sejam 22h da noite, eu volto a acordar. E já se sabe, de manhã, quando se acorda...

quarta-feira, novembro 05, 2008

A vitória de Obama...

... significa, antes de tudo, que ainda há espaço para sonhar neste mundo.


What a great day to live!

segunda-feira, novembro 03, 2008

Before night falls - Antes que anoiteça

Se alguma vez viajar para Cuba e desaparecer, culpem este filme.


Fui objectivar a liberdade onde é mais palpável, quando a proíbem.


Fui em sonhos saber o que é escrever por vingança, gritar por direito, amar por definição.

sexta-feira, outubro 31, 2008

A noite finalmente terminou. O dia hoje também não vai dar tréguas...

quinta-feira, outubro 30, 2008

Uma caneca de café depois das 10 da noite...

... só quer dizer uma coisa.

Noitada!

quarta-feira, outubro 29, 2008

505

E agora fico aqui, a ouvir a voz do vocalista dos Arctic Monkeys. E deixo as lágrimas abandonarem-me a cara repetidamente até criarem sulcos no chão.

"But I crumble completely when you cry, It seems like once again you've had to greet me with goodbye, I'm always just about to go and spoil a surprise, Take my hands off of your eyes too soon"

E sinto um turbilhão inexplicável. Um misto de dor e prazer e angústia. E não percebo, mas tenho a certeza da dor nos meus lábios salgados. E volto a carregar "play" para tentar desvendar algo novo dentro de mim.

"I'm going back to 505, If it's a 7 hour flight tour a 45 minute drive, In my imagination you're waiting lying on your side, With your hands between your thighs,"

* Este é para ti, J.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Baby steps

Dificuldades da vida adulta: saber que há gente que não gosta de nós e viver bem com isso; saber que se fez mal às pessoas por egoísmo, por desatenção ou por pretensão; perceber que os dois acontecimentos podem estar relacionados; o mais difícil: olhar para o espelho, aceitar as consequências dos nossos actos, não nos sentirmos mal connosco e perceber que a única coisa a fazer é não voltar a cometer os mesmos erros com outras pessoas.

domingo, outubro 26, 2008

Foi feliz na amargura. Viveu de acordo com as melhores peças de teatro na Broadway. Viveu um romance pós-guerra nos moldes do sonho americano. Cheio de cores e de roupa luxuosa, de corpos e suor, de tiques e ardor. Que começou e acabou como uma peça de Tennessee Williams, com segredos expostos e horrores da natureza humana, com obsessões e crueza. Um romance amargo com uma banda sonora privada. Ouvia Rufus Wainwright todas as noites, depois de uma conversa ao telefone, uma caminhada na noite, uma passagem por um quarto que nunca se tornou seu conhecido.
Raios, qual "mudança da hora"? Qual horário de Inverno? As minhas mãos já me avisaram que os dias quentes acabaram. As minhas mãos estão frias e agora só vejo melhorias lá para Abril. E nem me venham falar de "coração quente"! Que até esse arrefece, é só uma questão da temperatura exterior descer o suficiente...

Quem dera fosse amanhã...

E já só penso, na "minha alegre casinha", que modesta ou não vai estar preparada para histórias novas. E já só penso em descidas ao Lux, subidas ao Bairro, viagens ao Incógnito. O Cais do Sodré tão perto e o miradouro da Graça logo ali. O trabalho à distância de uma corrida e de um Metro.
E já só penso em uma vida. Com sons antigos e futuros, que juntos criam momentos e memórias novas. Um imaginário total. E já só penso em tudo isto bem acompanhado. Com outra família, aquela que se escolhe.

sábado, outubro 25, 2008

Desculpem a catadupa de posts, eram as saudades da escrita bloguística.

Outra vez o Beck de "Modern Guilt"...

... que nos escreve o desalento com elegância.

"I've been drifting on this wave so long
I don't know if it's already crashed on the shore"*


* "Volcano" em "Modern Guilt"
À entrada do seu romance "A Fenda", Doris Lessing cita o poeta inglês Robert Graves.
"O homem faz, a mulher é."

sexta-feira, outubro 24, 2008

Whisper

"I'll be your mirror
Reflect what you are,
in case you dont know

I'll be the wind,
the rain and the sunset
The light on your door
to show that you're home

When you think the night has seen your mind
That inside you're twisted and unkind
Let me stand to show that you are blind
Please put down your hands
cause I see you"*

Cantem baixinho aos ouvidos dos vossos amantes. Estamos em 1966, e o desalento já é velho. Sussurrem aos ouvidos dos vossos amantes e finjam que esta voz ainda não está morta e vos é emprestada durante uns momentos. Cantem, numa praia desconhecida, ao som de raios de sol a nascer, de ondas a descolar, de rochas a zumbir.

O sonho acordou e recusa-se a adormecer...

* "I'll Be Your Mirror" - The Velvet Underground and Nico

terça-feira, setembro 23, 2008

Morrem as distracções

Passam-se minutos, deixo-me atrasar enquanto formo palavras com o teclado. Uma resolução toma lugar na minha consciência, uma resolução que fica aquém das coisas... Vou pôr férias no blog (e na minha vida) até final de Outubro. Até já.

Votos à urna num sistema sem anonimato

Por favor, preciso de saber isto:

Caro leitor, acha este blog críptico*?

Responda sim ou não na caixa de comentários, agradece-se uma explicação associada ao voto... :P

Muito obrigado!


*Críptico - figurativo que tem ou que parece ter um sentido oculto ou ambíguo; hermético; misterioso

domingo, setembro 21, 2008

E porque tudo é circular...

... no álbum "Waiting for the sun" dos The Doors, a música que vem a seguir ao "Summer's Almost Gone" chama-se "Wintertime Love"...

Não sei onde vou estar no Inverno, mas antes do Verão acabar...

O fim-de-semana que antecede o equinócio do Outono começou na minha quinta-feira à noite com uma chegada, uma conversa e um jogo. Saltou por cima das horas de trabalho de sexta-feira e continuou com um jantar, dois beijos, dois caipirões e um pé de dança, uma viagem de carro e mais dois dedos de conversa. No sábado, um acordar, uma festa com muitas crianças, o Philip Seymour Hoffman e dois episódios do "True Blood". Um rectângulo de luz branca na minha cama, eu, deitado, a olhar para metade da lua, para lá da minha janela, eram 3h30 da manhã, música nos ouvidos. Um acordar tarde no Domingo, passar fotografias para o computador, viajar até Lisboa enquanto o nevoeiro se vai apoderando da cidade e transforma as coisas por transformar a luz. A pé, o chiado, um corte de cabelo e dois bilhetes. Sentado no chão da entrada de um prédio de uma rua calma de Lisboa, um cuscuz, outra viagem. Escrever este post.

O fim-de-semana só acaba amanhã, decidi eu, antes de pôr o pé fora de casa. Fora deste post ficaram inúmeras pessoas que tiveram o seu fim-de-semana antes do equinócio e sorte minha por ter chocado com elas.

O Verão ainda não acabou, mesmo que já tenha acabado, mesmo que ainda vá começar, e essa é a beleza do calendário que nunca acaba e que nunca me farta apesar de ser sempre igual.

sábado, setembro 20, 2008

A minha música favorita para Setembro

"When the summer's gone where will we be?"

quarta-feira, setembro 17, 2008

Finally alone...

... ou ...

Se considerar que o mundo se desvaneceu de ídolos (aqueles que estão perto de nós e que os vemos como exemplos perfeitos), respiro a liberdade da solidão nas decisões e na ponderação. Continuo a precisar da ajuda dos outros, mas deixei de ver a salvação neles.

E sabe tão bem a liberdade...

segunda-feira, setembro 15, 2008

Três meses e meio para o ano novo e uma promessa para concretizar ainda em 2008. Os mitos não me servem, têm que acabar.

"When the kids had killed the man I had to break up the band"


A oferta veio por mail (thanks sb). Achei que o Ziggy era um bom ponto de partida para arrancar com uma nova semana. Aqui no 5 Years temos exigências: pede-se uma loucura por dia, não se aceitam clichés, a semana não pode terminar sem se tornar especial... Ponham a imaginação a trabalhar.

sábado, setembro 13, 2008

A repressão do desejo

"Though nothing can bring back the hour of splendor in the grass, glory in the flower, we will grieve not; rather find strength in what remains behind."

* Splendor in the grass. 1961

quarta-feira, setembro 10, 2008

Sobre o mega acelerador de partículas e a teoria do buraco negro

- Ah! Mas e se...?

- Passaste milhares de horas a estudar Física?
- Não!

- Leste centenas de artigos sobre o assunto?
- Não!

- Discutiste com dezenas de outros cientistas?
- Não!

- Então o teu "e se?" não vale rigorosamente nada.

O que me tira do sério é a SIC fazer um desenho 3D "realista" da Terra a ser comida por um buraco negro. Tamanha irresponsabilidade!
Saltei da cama, desci as escadas, mordi uma pêra e fiz uma tosta de fiambre, sem manteiga. Superei-me à insónia e pretendo continuar assim, a superar todos os dias... Quando voltar para a cama quero dormir para descansar, mas, sobretudo, para acordar amanhã fresquinho e fazer, fazer, fazer. Está decidido - fazer, para que os dias não pareçam mais pequeninos do que já são.

segunda-feira, setembro 08, 2008

"Everybody's gotta learn sometime"

Joel: I can't see anything that I don't like about you. Clementine: But you will! But you will. You know, you will think of things. And I'll get bored with you and feel trapped because that's what happens with me. Joel: Okay. Clementine: [Pauses] Okay.*

Wait. Don't walk. Não te movas, respira por um bocado. Wait, outra vez. Pára o passo, olha só para trás uma vez mais. Por trás de mim, da parede que me impediu de fugir, da casa, do mundo. Change your heart. Desafoga a mente, e talvez o coração, talvez... Espera um segundo, só um. Estaca, por mim. Pela praia de neve e pelo vento no mar...

* Eternal Sunshine of the Spotless Mind

Black Kids - Hurricane Jane in loop

Segunda ainda não acabou e quem dera já fosse sexta...


"It's Friday night and I ain't got nobody.
Oh, what's the use of making a bed?
I took something and it feels like karate;
it's kicked me down and left me for dead.
It's Friday night and I ain't got nobody,
so what's the use of pulling a shape?
I put what I want, when I want, in my body.
I'm never gonna give what I take"

sábado, setembro 06, 2008

Foi ser giro e inacessível, e molhar-se à chuva.

No seguimento das estações

Encontro-me violentamente urbano na antecipação do Outono.

Respiro o asfalto da cidade, filtrado pelas folhas caídas e absorvo os pormenores: a escada rolante solitária que não se cansa de subir no metro da Avenida, o cinema dark no São Jorge, a azáfama quente da FNAC ou o ribombar sólido do comboio.

Encosto-me na parede molhada e vejo a chuva cair, iluminando a noite ao multiplicar a luz artificial dos candeeiros. Sorrio para mim, a auto-cumplicidade é um sentimento gigante...

Lisboa branca, é cinzenta pelas nuvens, é escura pela noite. Continua maravilhosa agora que o Verão se vai embora e promete sempre dias de sol com tonalidades diferentes no seguimento das estações.

quinta-feira, setembro 04, 2008

"Two fists of solid rock with brains that could explain any feeling"

Com o "My Blueberry Nights" voltei a ouvir o "The Greatest" da Cat Power como se fosse a primeira vez. Apaguei da minha memória emocional aquele mau concerto de Novembro de 2006 e a figura infeliz dela. E é como se de novo, a voz grave e letárgica da Chan Marshall viesse das profundezas de uma noite esquecida e me salvasse da angústia e a trocasse por nostalgia.

A voz da Cat Power é de alguém que já viveu coisas muito piores do que nós e só tem oportunidade de resgatar a pureza do mundo e de si própria quando canta.

"Once, I wan ted tobe the grea teeesst.. .. ... ...

terça-feira, setembro 02, 2008

Take Five - Dave Brubeck


Sim, é esse mesmo. O bar na downtown que queres entrar. O que desces as escadas para a cave e entras no mundo de fumo em que as cara das pessoas são a preto-e-branco. Onde se ouvem segredos camuflados na mais bela história de amor que está a ser contada na mesa ao lado, onde estão duas mulheres lindas e um homem com um sorriso condescendente. E de vez em quando há porrada e de vez em quando há gritos, mas na mesa certa tu ouves tudo como a continuação da canção que acabou e que sustém a respiração antes da próxima iniciar. O bar em que o empregado te conhece, mas nunca saberás se o olhar de reconhecimento vem apenas da memória do último dia ou do último ano. O bar que te vê gastar os teus trocos, que te vê sair de lá bêbedo, alegre, triste, com insónias, fodido com o trabalho e com a vida ou simplesmente a inspirar fundo e a gozar a noite antes de mais um dia nascer.
O bar que te conta segredos nas paredes, nos olhos das pessoas que saem da casa de banho, no sorriso do gajo que bebe o último trago de gin. Que te conta a ti, os teus próprios segredos, numa versão defeituosa, enriquecida, encarnada por outros, demoniaca, visceral e que te obriga, todas as noites, a voltar ali.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Sorry for my square head, but...

... Reentré equals Incógnito!!!!!

Uma chávena de café em modo especial...

...para os dias em que o futuro nos parece assustador.

* Os deuses desaparecem, mas a fé mantém-se nos rituais.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Rush

Ver casas (internauticamente) é bru-tal!

terça-feira, agosto 26, 2008

Resgato do meu passado as músicas que o marcam. Submeto-as a uma nova continuidade, criando com elas novas memórias dentro de mim, transformando-as nesse processo.

Decidi não ser um súbdito do meu passado. Recuso-me a isso. Há sempre novas razões para o sofrimento e para a felicidade, o vento chega-me para a nostalgia...

segunda-feira, agosto 25, 2008

Não tenho medo de acordar.
Truth is not enough.
Fuck.

Heresias

A simplicidade aborrece-me. A complicação assusta-me. O meio termo é beige.

domingo, agosto 24, 2008

Patti Smith in "Cowboy Mouth"


A maior parte das vezes chamava-se maria

Era do fumo do cigarro que nascia? Que buscava força para a sua carne? Deitada. Sentada. A luz a bater e a entrar pelo ouvido, a mistura das sensações e dos sentidos. As pernas despidas, o jacto de claridade, a janela aberta, o vento a soprar na cortina.

A doçura negra do desalento.

A memória do último beijo.

Não esperava pelo fim da estação, estava quieta no movimento, soprava o fumo desalinhado do cigarro, criava sombras. Assombrava-se no meio da luz.

sábado, agosto 23, 2008

Eu quero um homem-lagosta

"People want a street angel. They want a saint but with a cowboy mouth. Somebody to get off on when they can't get off on themselves. I think that's what Mick Jagger is trying to do...what Bob Dylan seemed to be for a while. A sort of God in our image...ya know?"

in: Cowboy Mouth - escrito por Sam Shepard e Patti Smith

quarta-feira, agosto 20, 2008

Estou a precisar de sol...

In // Out - My own private Creative II

O que sai:

Andrew Bird - Soldier On
Bon Iver - For Emma, Forever Ago
Bonnie 'Prince' Billie - Lie Down in the Light
Foals - Antidotes
Infadels - Universe in Reverse
M83 - Saturdays = Youth
MGMT - Oracular Spectacular
Santogold - Santogold
The Ting Tings - We Started Nothing
Vampire Weekend - Vampire Weekend



O que fica:

Animal Collective - Water Curses
Beach House - Devotion
Electric President - Sleep Well
Envelopes - Here Comes the Wind
Hercules & Love Affair - Hercules & Love Affair
Lucky Soul - The Great Unwanted
The Blows - Upskirts
The Do - A mouthful
The Hair - Indecisions
These New Puritans - Beat Pyramid



O que entra:

Beck - Modern Guilt
CSS - Donkey
Fleet Foxes - Fleet Foxes
Jeremy Jay - Airwalker
The Kills - Midnight Boom

"Then jump off the roof, Maggie. Jump off it. Cats jump off roofs and land uninjured. Do it. Jump."


"I've got to use her every time fascination comes around"*

sunglasses .are. second nature


*"Fascination" - David Bowie

terça-feira, agosto 19, 2008

Duvida de mim, esclarece-me

Por muito que pensemos e que digamos, ficamos aquém. Do nosso pensamento, da nossa dor, ficamos aquém.

E não vale a pena pormos a nossa t-shirt mais gira, os óculos escuros mais correctos, o estilo de cabelo certo.

Não vale a pena olharmos as ruas e reconhecermos os sonhos que fabricamos e os reflexos que vemos.

E largarmos sentenças.

E saltarmos para outras cidades.

E fugirmos de nós e tentarmos ser compreendidos.

E fingirmos que nos compreendemos.

E lermos livros.

Nada vale. Sonhar tão pouco, se não acordamos dos nossos pesadelos e fobias e incoerências e absurdos.

Nada vale sonhar se nos tornamos amargos com a realidade.

Olhas para mim com intensidade. Duvida de mim, esclarece-me... não importa a dor.

domingo, agosto 17, 2008

There's something about "Modern Guilt"

Do que ouvi, o novo álbum do Beck é Bom. Sem preconceitos, sem necessitarmos de comparar com a discografia do cantor, é sólido, aguenta-se sozinho, é Bom.

Apareceu uma barata. Estava a ouvir in loop a música que dá nome ao álbum.
Estava à espera do bus para ir para casa. Apareceu uma barata. Não é a primeira vez.

"Don't know what I've done but I feel ashamed" - diz o Beck

São sinais de contemporaneidade. Como a série "Californication".
Há no ar sintomas. Baratas. Pensamentos. Uma culpa intrínseca. Sentimos todos, globalmente. Já ninguém pode dizer "eu não sabia". Ouve-se falar. E não interessa. Não temos as mãos entranhadas de feridas verdadeiras, estão limpas e isso só significa que elas estão mesmo, mesmo sujas.
A auto-consciência do Beck é muito mais terrível dos que os horrores dos serial killers do imaginário dos anos 90. Já não estamos no século XX.

"Modern Guilt (...) Don't know what I've done but I fell afraid"

quarta-feira, agosto 13, 2008

- Não podes deixares-te ser frágil por me achares forte. Não podes. Não é justo, pára de fazer isso! A minha força torna-se uma representação tua, como se fosse algo de que eu me apoderasse ou que se apoderasse de mim. Esqueces-te que é apenas a minha mente a dizer "sê forte". Esqueces-te mais do que tudo que é a tua mente a dizer-te "deixa-te ser frágil". Não concebes que possa ser eu, um dia, a tornar-te forte, a obrigar-te a ser forte, a obrigar-te a teres uma representação de ti de força. Queres levar-me ao colo? Isso são tudo mentiras, é tudo uma farsa, é tudo injusto. Sê forte por ti, sê fraco por ti. Não te sirvas dos outros para justificar a tua inépcia!

segunda-feira, agosto 11, 2008

Little Pills








"Get lost Joe. Go exploring, with a big glass of water"*


* in: Angels in americA

sábado, agosto 09, 2008

Constatação

Quero tornar-me inteiro e no dia em que o fizer vou ter que arranjar um significado para este blog.

quarta-feira, agosto 06, 2008

"When I'm twenty seven shades of blue...

...And my lips are unhappy without you"

Quero segredar. Viajar com esta música, viver o Verão. Contornar esquinas e provar como Lisboa do final de tarde é luminosa e fácil. Que não existe peso, nem a leveza se torna insustentável.

As músicas dos Lucky Soul pedem para ser entranhadas com memórias... :)

É do saaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaal!.............

segunda-feira, agosto 04, 2008

"O Verão de tudo o que nunca li"* da Alexandra Lucas Coelho é mesmo isso. É a admiração por aqueles que já leram tanto que parece que leram tudo. É a admiração por tudo aquilo que nos falta ler. É a admiração pela dor que está subjacente não só à leitura, mas ao Verão, a todos os Verões e a todas as estações. É a dor pelo que ainda não vivemos...


*Artigo do suplemento de Verão do Ípsilon de sexta-feira passada.

domingo, agosto 03, 2008

Desculpa! Esqueci-me que tinha de construir um imaginário para manter-me vivo.

sábado, agosto 02, 2008

Os Lucky Soul...

... fizeram a música pop de Verão perfeita quando dizem:

"My lips are unhappy without you".

Ou será quando cantam:

"One kiss don't make a summer"?

Ainda não sei. Vou ouvir mais uma vezes... :)

*Lucky Soul aqui.

terça-feira, julho 29, 2008

"Some men just want to watch the world burn"

E é desses que devemos ter medo.

Grande filme!

sábado, julho 26, 2008

Hoje apeteceu-me ser como o Alberto Caeiro e sentir a areia sem deixar pegadas para trás.
Hoje, pela primeira vez, vi onde queria estar "daqui a dez anos".

No presente

Começou a sorrir e a chorar, as lágrimas secaram com a força do vento vindo da janela aberta. O carro continuou a rolar à mesma velocidade. Ele, seguro de si, viu pela primeira vez que não estava a fazer o caminho da fuga nem o da salvação. Estava só a viajar...

quarta-feira, julho 23, 2008

Tenho saudades vossas. Gostava de ser rico, alugar uma casa e levar-vos para lá. Aí, vocês podiam divertir-se com os meus desalinhos diariamente. Ver-vos rir é ouro.

Boa viagem!

segunda-feira, julho 21, 2008

My new wallpaper

Existem lugares e momentos onde podemos controlar a beleza. E sermos eternamente felizes em lugares quadrimensionais, como de manhã, no autocarro a caminho do trabalho, ao som dos Vampire Weekend.
You're right J., o "Oxford Comma" é mesmo excelente.
Vou tentar adormecer com a imagem desta melodia espacial e com o som dos vampiros. Mereço sonhos bonitos.

Este post foi patrocinado pelo Astronomy Picture of the Day!

sábado, julho 19, 2008

Preciso de fugir para Lisboa.

"And the moon is swimming naked and the summer night is fragrant with a mighty expectation of relief"

Hoje não vou ver o Cohen. Vou provavelmente perder um grande concerto, o último que ele vai dar em Portugal. Não comprei bilhete, não me decidi, não me esforcei por decidir. Tinha alguns argumentos pouco satisfatórios para não ir, que os utilizei aqui e ali para mim e para os outros. Fico por casa sem a sensação de arrependimento nem de inércia. É como se o Cohen não viesse tocar à minha realidade, ou como se a minha realidade não estivesse preparada para um concerto do Cohen. São duas ondas que estão desajustadas e que não fazem sentido juntas. É orgânico e pouco racional.

Espero que ele dê um grande concerto!

Pedi ao Talisca, que vai viver essa realidade, para me enviar um fresco instantâneo do concerto por telemóvel. (os telemóveis são portais interdimensionais)

Escolhi o "Closing Time", do álbum The Future. Não é a minha música favorita do cantor, mas é uma celebração lúcida sobre a vida e as relações, que me deixa bem-disposto.

quinta-feira, julho 17, 2008

As nossas camadas entrelaçam-se nas camadas dos outros.

Querer


quarta-feira, julho 16, 2008

Tornei-me perfeitamente racional e frio a observar as relações...

terça-feira, julho 15, 2008

Just for the record...

... assim como o bege, não queremos vidas em falsete!

"Porque há vidas em falsete..."

segunda-feira, julho 14, 2008

a menos de seis horas de acordar

somos chamados e chamamos. andamos com a vida aos ombros. quando nos perguntam se está tudo bem, respondemos que sim.

domingo, julho 13, 2008

Lido hoje no comboio, a caminho de Lisboa

"... Há sempre num recanto do espírito a esperança de uma destruição total, único remédio para o tédio que consome o homem moderno."

in: "Mountolive", terceiro volume do "Quarteto de Alexandria", Lawrence Durrrell, pág. 71, Ulisseia.

sábado, julho 12, 2008

Os Fleet Foxes já se colaram aos ouvidos e ainda vou na terceira música. É mesmo o clique mental que precisava...

sexta-feira, junho 27, 2008

A fenda

Fez barulho. Abriu-se um espaço profundo e escuro, e caíram pessoas fenda abaixo. O propósito sólido da Terra fugira, já não existia a segurança dos pés assentes no chão. Ficara o medo de andar, um acto quase tão inadaptável como o de voar. Por isso as pessoas começaram a olhar para o céu de outra forma. Inquisidoras, como se o espaço fosse o prolongamento da Terra, como se tivesse o mesmo grau de insegurança. Lançaram-se em jactos, em propulsores, enviaram-se para fora. Romperam a atmosfera e "aí vou eu!". Olharam para trás, e viram uma bola redonda e pequenina, tão estúpida como outras bolas redondas e pequeninas que andavam por aí... E surgiu a ideia: o mundo é universal.

quinta-feira, junho 19, 2008

Sou racional, logo mato-me?
Em última instância não é a morte, é a velhice. A tardia, que é muda por fora e por dentro. Que não nos deixa gritar. Que nos faz ter medo de adormecer, sem nos apercebermos que a diferença em estarmos acordados não é assim tão grande.
Ou se calhar percebemos... mas continuamos a vomitar uma vontade de estar mesmo que isso tenha muito pouco de ser.
A Johansson podia ter deixado o Waits para alguém com mais fibra. Eu até gosto da rapariga e por isso culpo a juventude por nos dar a ilusão de podermos ir a todas.
Se ela daqui a 10 anos repetir a brincadeira então a conclusão a que chego é que está enamorada por ela própria e aí, definitivamente, não há pachorra... (que volte para Tóquio)
The old feeling of someone new...

quarta-feira, junho 18, 2008

Desconstrução. Até se chegar à essência...

Try me


A partir de uma foto tirada pelo Life Chaser.

O que é uma relação?

Amor, Companheirismo, Honestidade, Confiança, Concessão, Organização, Cooperação, Criatividade, Troca, Crescimento, Projecto, Amizade, Família, Suporte, Acreditar, Diversão, Sedução, Manutenção, Apoio, Sexo, Generosidade, Discussão, Cuidar, Filhos, Aceitação, Quotidiano, Gestão


A lista não está por ordem alfabética ou de importância. É incompleta, confusa, não consensual. Just like life!

segunda-feira, junho 16, 2008

O teu olhar nem o vidro atravessa

Esgotara-se.

Achava-se vazio. Não era a falta do rasgo, nunca o tivera. Era a falta de penetração.

esgotara-se.esgotara-se.esgotara-se.esgotara-se.

Não restava nada.

Não conseguia ter longas conversas. Não conseguia amar.

Esgotara-se.

Só tinha o movimento. Apoiava-se no passo como única forma de respirar.

Perdera a intensidade no right on track que a vida lhe tinha proporcionado.

Disseram-lhe um dia...

... "Estás oco. O teu olhar nem o vidro atravessa."

O que falta para se crescer?

Olho para o mundo com a voz dos outros. Sei que ainda estou cego para o ver com a minha voz.

In // Out - My own private Creative

Introduzo aqui um novo filão de posts para que se saiba o que estou a ouvir quando tenho os phones postos.

O que sai:


Hot Chip - Made in the dark
Los Campesinos! - Hold on now, Youngster
Nick Cave and the Bad Seeds - Dig!!! Lazarus Dig!!!
Pete and the Pirates - Little Death
Sean Riley and the Slowriders - Farewell



O que fica:

Andrew Bird - Soldier On
Bon Iver - For Emma, Forever Ago
Foals - Antidotes
Hercules & Love Affair - Hercules & Love Affair
Santogold - Santogold



O que entra:

Animal Collective - Water Curses
Beach House - Devotion
Bonnie "Prince" Billy - Lie Down in the Light
Electric President - Sleep Well
Envelopes - Here Comes the Wind
Infadels - Universe in Reverse
Lucky Soul - The Great Unwanted
M83 - Saturdays = Youth
MGMT - Oracular Spectacular

The Blows - Upskirts
The Do - A mouthful
The Hair - Indecisions
The Ting Tings - We Started Nothing
These New Puritans - Beat Pyramid
Vampire Weekend - Vampire Weekend

Os Pontos Negros

Os Pontos Negros, banda portuguesa de Queluz, têm uma nova música no seu MySpace. "Conto de fadas de Sintra a Lisboa". Para além disso têm um EP que se pode sacar a partir do site. Tudo isto porque eles vão dar um concerto na fnac do Chiado, quarta-feira às 21 horas.

As noites únicas

Foi um fim-de-semana mágico, em que a leveza do ser foi sustentada por incontáveis pormenores que a enriqueceram, que a tornaram palpável. Já era dia quando tu disseste "Até Dezembro!" - a nota devastadora que põe o fim a noites que não se repetem tão cedo. Noites em que o estado de espírito e as presenças anulam as ausências reais e as que criamos dentro de nós.
Na próxima sexta ou no próximo sábado à noite vais estar no pool das ausências. Estou conformado com as tuas idas, é o tempo entre as tuas vindas que me afecta.

Até Dezembro! :)

domingo, junho 15, 2008

Bege...

...também conhecido como beige,

in priberam:

cor intermédia entre o café com leite claro e o creme.

FIGHT AGAINST BEGE!!!

As nuvens estão dispersas e a várias altitudes. Dão profundidade ao céu, tornam-no complexo. O sol nasce e a luz traz as sombras. O horizonte altera-se a cada batimento, é uma fonte inesgotável de beleza.

sábado, junho 14, 2008

De madrugada

Ao subir a Calçada do Combro esperava-me uma rosa vinda de uma mão desconhecida e dois beijinhos de nacionalidade italiana (em troca da flor). Em apenas dois segundos Lisboa com o seu jeito subtil e sem manjericão tinha alimentado os meus sonhos...

quinta-feira, junho 12, 2008

No jardim do Museu do Chiado

Atravessei um mar de fios grossos de nylon, de cor azul, que vinham do céu. Foi uma daquelas oportunidades que nos surgem sem pedirmos. Nem sequer imaginamos que existem. Atravessei para um lado, caminhei devagar, enquanto os fios faziam resistência e roçavam pelo corpo. Voltei a atravessar e parei no meio do azul, pacífico. Parecia que estava dentro do oceano.

quarta-feira, junho 11, 2008

"Spring and by Summer Fall"*

Ficava feliz se os Blonde Redhead voltassem cá em nome próprio, numa sala acolhedora. Prometia abstrair-me dos meus pensamentos e inundar-me com a música, com o ambiente e com a energia que eles transmitem.

"Clashing lies and clashing thighs
Clashing chasing changing minds
Tell me what you've seen tell me where you've gone
Tell me where you've been tell me what you saw"

* Música aqui, e letra aqui.
E a solidão continua no espelho à minha frente, mesmo que em mil noites tenha visto mais de mil olhos. Não consegui fugir dos meus, só afastar os dos outros.

terça-feira, junho 10, 2008

O Verão convida-me a acompanhar a tua nudez.

Um cubo com sentidos

Um cubo com buracos em cima do mar. A água entra, entra, entra. Eu dentro do cubo absorvo, absorvo, absorvo. Não me deixo explodir. Faço tábua rasa da física e dentro de mim mais de duas partículas ocupam o mesmo espaço. Há um único senão: a densidade aumenta e eu afundo.

domingo, junho 08, 2008

quinta-feira, maio 22, 2008

Escalas

Há uns dias estive quase para pôr um red square no blog. Mas com a idade aprendi que as boas decisões vêm com o tempo, com um cérebro oxigenado (e não o cabelo, ok!?) e sem precipitações. Por isso o 5 years tem andado parado, mas está a voltar devagarinho, aos soluços. Daqui a bastante tempo, tudo isto vai parecer apenas um repouso e não uma ausência. É uma questão de escalas...

Disclaimer

A mim, a minha solidão, a minha busca. Sem interferências.

sábado, maio 10, 2008

Preciso de imagens.

E nunca tive tanta justificação para me queixar de falta de tempo para ir buscá-las.

São fases...

sexta-feira, maio 09, 2008

Night tale

Finjo estar impávido enquanto tento perceber porque é que o meu corpo treme. Assusto-me por sentir o que já não sentia há algum tempo. É ameaçador, deixa-me vulnerável, surpreso. Quando me levanto recuso o teu olhar. O pequeno sinal que dou é a minha mão que fica presa ao assento onde estás, enquanto o meu corpo balança para a frente. Saio do autocarro para uma chuva miudinha. Olho para ti através do vidro num gesto cobarde, mas desta vez és tu que negas com justiça a minha tentativa.
À medida que avanço no caminho para casa o tremor abandona-me na mesma proporção que a chuva aumenta. Olho para cima para enfrentar os pingos que batem com mais força. Sustenho a respiração e agarro-me à coragem que não tive e que continua a escapar-me.
Lanço-me inevitável numa corrida desesperada em direcção a casa, desculpo-me com a minha garganta arranhada, não posso ficar doente. Fujo de uma molha, de um autocarro, dos meus sentimentos e questões. Nego-me duplamente e sinto uma angústia bater ao de leve, a afagar-me a face enquanto entro no prédio.
A angústia já se transformou em dor quando abro a porta de casa. Ponho a mala na sala escura e venho para aqui. Ligo o computador, entro no blog e desfaço-me destas memórias enquanto acabo de escrever este post - o terceiro momento de cobardia da noite.

domingo, abril 20, 2008

move on...

domingo, abril 06, 2008

quinta-feira, abril 03, 2008

Always the same

Little boxes original de Malvina Reynolds




"Little boxes on the hillside,
Little boxes made of ticky-tacky,
Little boxes, little boxes,
Little boxes, all the same.
There's a green one and a pink one
And a blue one and a yellow one
And they're all made out of ticky-tacky
And they all look just the same.
And the people in the houses
All go to the university,
And they all get put in boxes,
Little boxes, all the same.
And there's doctors and there's lawyers
And business executives,
And they're all made out of ticky-tacky
And they all look just the same."

No youtube existem mais duas compilações como esta. Estão cheias de caixas e caixinhas que se desmultiplicam em várias cores.

A
série, essa sim é diferente...

domingo, março 30, 2008

Vivo momentos enriquecedores, tenho medo é que não sejam os importantes...

sexta-feira, março 28, 2008

"What New - York Used to be! Uh! Uh!"*

Caramelado de sono, ainda sinto arestas suficientes no meu corpo para despejar something para aqui. Sempre valorizei os moods, os meus, os dos outros, os das pessoas e os dos locais. Gosto de deixar-me atravessar pelo tempo, sentir as coisas a mudarem. Antecipar-me a essa mudança.

Braços para cima e deixem-se voar...

Uh! Uh!


* The Kills

domingo, março 23, 2008

Pick your choice

"I can give you what you want.
I can make your heart beat short.
I can make you ice cream"
- New Young Pony Club









"Cause love is just a dialogue
You can't survive on ice-cream
You got the same needs as a dog"
- The Kills


Serões na província

Catalogar as noites dos outros como "serões na província" (mas não "serões provincianos", diga-se!), pode ser visto como um trabalho do meu inconsciente reprimido que anda à procura de outro tipo de noites.
Dito isto, num espírito queiroziano assumidamente inspirado no romance "A cidade e as serras" (mas sem defender aquele final, que apesar de delicioso, é demasiado moralista para mim), fazia-me falta um fim-de-semana prolongado no campo. Algo primaveril, mas ainda com os últimos rasgos de um Inverno idealizado. Sentido nas manhãs mais frias, nas chuvas mais gélidas, nos ventos mais cortantes.
De resto, dias simples: montanhas a perder de vista, horários pouco extravagantes, o sossego na falta da tecnologia, algo para ler, passeios prolongados, refeições tradicionais, finais de tarde bucólicos, princípios de noite ao som de jogatanas.

E,

a ausência de olhares. Excepto dos que estão carregados de afecto, dos que nos conhecem, dos que são seguros.

sábado, março 22, 2008

6 degrees*

"I looked at you You looked at me,
I smiled at you You smiled at me"


And i'm on my way


* As redes sociais são um coisa maravilhosa...

terça-feira, março 18, 2008

O leitor podia ter ficado ali se não houvesse depois. "Adeus! Vocês são os melhores amigos do mundo!"

O leitor pode escolher ficar para sempre, ali.

Hoje é essa frase que me ribomba na mente. É esse o grito. É a sensação desse grito enquanto grito.

"Vocês são os melhores amigos do mundo!"

sábado, março 15, 2008

Cada vez gosto mais de acentos.
A 5 de Fevereiro de 2007 escrevi este post: "No carrossel dos amigos estou sempre pronto a entrar.". Hoje não consigo deixar de sentir leviandade nesta frase e olho-a com descrédito. O amusement que está subjacente a ela é-me agora indiferente... Não sou menos sensível ao carrossel que possa ser a vida dos meus amigos. Sou mais clínico, menos inocente e adivinho melhor o sofrimento que está para vir. Em contrapartida tenho muito mais energia para ajudar a combater esse sofrimento.

Another night

É como as notícias, o tempo traz desinteresse aos acontecimentos. Por isso escrevo já, antes que esta noite se dilua nas outras todas.

Nunca esperei ver no Incógnito fazer-se um comboio de pessoas. Enfim, dar um desconto aos turistas, que podem baixar a guarda para serem o que são e o que não são... Mas os discos voadores conseguiram, algum tempo depois, fazer-me esquecer tudo isso. O Galopim passou a música dos The Kills que eu citei dois posts abaixo. Foi o momento catártico da noite, e mais uma pedrinha para o saco da minha crença na simetria das coisas...

Depois, por cima, por baixo, ao lado, e mais importante de tudo - por dentro, os amigos. Aqueles que trazem a áurea às minha noites.

Now it's time for bed...

sexta-feira, março 14, 2008

Ah, o bem que me fazia dançar. Amanhã vingo-me!...

quinta-feira, março 13, 2008

"You got a ghost in your head"

"Time ain't gonna cure you honey, time don't give a shit
Time ain't gonna cure you honey, time just gonna hit, on you"*


O último álbum dos The Kills está cheio de boas citações. Eu gosto de boas citaçãos. Eu cito.

Boom Boom

* Parte da letra de "Tape Song", tirada de ouvido.

quarta-feira, março 12, 2008

Aos beijos a sofreguidão. O tremor na simetria universal das bocas, o roçar das línguas, a respiração roubada. Nos beijos, sempre a continuação do outro, a inaptidão do pensamento, os olhos fechados. Os beijos, que se apoderam de nós, que submetem a razão, que nos sugam. Que duram mais três segundos quando já decidiram acabar. Aos beijos a imensidão do momento, que nos engana, não nos avisando da memória que descai de tão mal guardada.
Finalmente aos beijos, pelo esforço de se tornarem únicos. Não vá uma palavra errada, um choro melancólico, uma volta da vida fazer-nos lembrar que foram os últimos.

sábado, março 08, 2008

Já tenho torradeira, sou um homem feliz! :)

quarta-feira, março 05, 2008

Hoje,

...a surpresa de um café com alguém que anda geograficamente longe. A facilidade em como se põe a conversa em dia. Nem um segundo de estranheza. A saudade e o afecto a embrenharem-se. O conforto da amizade. Quente, quente, quente...

segunda-feira, março 03, 2008

"Sleep in our clothes and wait for winter to leave"


*Este blog está a tornar-se num bunker de quotes e eu estou cada vez mais empolgado com o concerto dos The National. Excerto da letra de Apartment Story.

domingo, março 02, 2008

Motivação química

* Que ninguém pense que este post tem alguma coisa que ver com o anterior...
Nunca senti tamanha resistência para fazer a merda de um trabalho. É aflitivo!!!

"Hot cold season gonna sink in my sweat"*

Façam a abstracção mental que quiserem, mas esta frase tira-me do sério...


* Yeah Yeah Yeahs, excerto da música Dudley, letra aqui.
Passamos uma vida a acumular memórias para morrermos e alguém se esquecer delas por nós.

Apocalipse doméstico

As pequenas coisas da vida são por exemplo, torradas com manteiga ao pequeno-almoço. É por isso que soa a catástrofe quando nos acordam e no meio da conversa dizem "A torradeira estragou-se.", este tipo de frases são os verdadeiros arautos do apocalipse...

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

"keep it simple" - it's a quote

A frase vem-me à cabeça de dois em dois minutos, numa voz de mulher. keep it simple, they say. or she says. or something.

something.

algo.

vou publicar o post. fazer um café. bebê-lo. e vou manter as coisas simples. amanhã almoço convosco, e neste momento isso é tudo o que interessa.

kiss kiss

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

A chuva cai lá fora, os candeeiros são minhas testemunhas. O céu nublado tem um tom laranja artificial. Sinto cada vez mais a chuva como um fenómeno inesperado, que traz consigo algum tipo de esperança...

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Montar as arestas. Colocar os vidros (duplos, para protecção eficaz). Upa! Saltar lá para dentro e fechar o cubo. Já posso navegar, não me afundo...
Começo a ficar deprimido com a quantidade de bandas que vêm cá e a percentagem que eu não posso ir ver... Chuiff!!!
Por fim ficaram os olhos, a esforçarem-se para reter a atenção um do outro. Um diálogo mudo, numa outra língua, para se certificarem que o que tinha sido falado ia para lá do mero aceno mental e criara raízes na alma de cada um. O que estava em jogo não permitia erros nem decepções, o fim de um amanhecer diário que carimbava a solidão, a hipótese de se deixar de vaguear sozinho pelo universo.

De vez.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Cinco dias que vão passar a correr, no desespero de um prazo a cumprir. É o tudo ou nada. É o desafio.

"Maybe we can eventually make language a complete impediment to understanding."

Não sei do que gosto mais. Se da vontade demoniaca e inocente do Calvin, se do olhar sarcástico e levemente pedante do Hobbes.

domingo, fevereiro 24, 2008

Azul/Castanho

Ao longe o rio embatia contra o mar, numa luta de cores. O primeiro, castanho das chuvas e das lamas, o segundo, azul escuro, como se a profundidade fosse uma forma de ser e não uma condição física.
Contudo, ele que olhava, questionava aquela fronteira que as cores definiam. Será que mais uma vez não seria a incapacidade humana de apreender a gradualidade das coisas, responsável por aquela percepção? Agora na sua vertente fisiológica, óptica?
Focava a fronteira, olhava para o azul e para o castanho distantes, esforçava-se para encontrar uma zona de mistura, um padrão intermédio. Não admitia ser vítima do seu cérebro primário, que até naquela situação, continuava a envolver a realidade num sistema binário que tudo simplificava, e que destruía a hipótese de se ser verdadeiramente livre...

sábado, fevereiro 23, 2008

Fascina-me. Aos poucos. Mantém-me desperto, acordado. Retira-me o peso dos dias tornando cada um único...

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

"The rainbow of her reasons"

Lembro-me de ver um documentário dos Sete Palmos de Terra, onde o Alan Ball falava como é que ele e os outros escritores da série iam desenvolvendo as personagens. Que o que acontecia a cada personagem não tinha um impacto directo nas suas acções, o encadeamento mental e interior de cada um é intrincado e depende de vários factores (mimetizando as pessoas na vida real) e muitas vezes as verdadeiras consequências de algo que acontece são subtis e revelam-se muito mais a jusante do que seria esperado.

Dois exemplos:

- Durante a segunda temporada a Brenda tem dois comportamentos paralelos que são a antítese um do outro. Por um lado vai alimentando e fazendo o papel de namorada do Nate, faz a festa de noivado, encaixa da melhor forma possível a notícia de que o Nate vai ter um filho de outra. Todo o comportamento normal, socialmente aceite e correcto de uma pessoa madura. Ao mesmo tempo, vai tendo relações casuais com outros homens a título de experiência quase científica, mas que põem em causa o relacionamento com o Nate e são um reflexo inconsciente da sua incapacidade e medo de assumir uma relação para a vida. No final da temporada a situação explode, numa discussão brutal entre os dois.

- Outro exemplo é o caso do David em que num episódio da quarta temporada é raptado e passa por uma experiência traumática que o deixa literalmente às portas da morte. Essa experiência tem um impacto directo durante o resto da temporada, mas vai sendo tratada e posta de lado. No entanto, depois da morte do irmão, já no final da quinta temporada, o problema reacende-se e o David volta a ter pesadelos com o seu agressor até se aperceber que o que está em jogo é a incapacidade de aceitar a sua morte, que ficou mais próxima depois do que aconteceu ao irmão.

Durante as cinco temporadas dos Sete Palmos, podemos verificar este comportamento em harmónica de todas as personagens. Em que os acontecimentos parecem ser encaixados por cada um, mas que mais tarde revelam-se nos momentos menos óbvios em acções que vão custar caro e que para serem realmente superadas exigem tempo e um esforço épico.

É precisamente este mecanismo que torna as personagens complexas e faz com que a série seja tão boa. Porque a forma como os defeitos e a personalidade de cada um são trabalhados está muito perto da realidade. As nossas acções e comportamentos, os nossos vícios, todos os pequenos detalhes que nos constroem são fruto de centenas de acontecimentos que muitas vezes não nos apercebemos nem questionamos e que se reflectem em ciclos comportamentais, em falhas, em momentos e acções que não conseguimos explicar. O título deste post remete para esta ideia. “The rainbow of her reasons” dá o nome a um dos episódios mais bonitos da última temporada e é uma imagem mental clarificadora do que escrevi acima. A razão da razão é vasta e cobre-nos. É por isso que se leva uma vida inteira a tentar compreender os outros e a nós próprios.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Exorcismo

Os vampiros. Os fantasmas. Os que existem. Os dolorosos.

A esses, nem um segundo do meu olhar. Nem a parecença do meu afecto.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

E ainda sobre o "The Boxer" dos The National, descubro agora que é um álbum para o Inverno...

"Mistaken for strangers" - The National

"oh you wouldn’t want an angel watching over
surprise, surprise they wouldn’t wannna watch
another uninnocent, elegant fall into the unmagnificent lives of adults"

Oiço esta música há meses, mas só há poucos dias resolvi olhar com atenção para a letra. Fica aqui este excerto. Um apontamento brilhante do peso nostálgico que carregamos, nos dias em que somos a maior das nossas desilusões. Nos dias em que queremos passar despercebidos.


A letra integral aqui. A música no myspace da banda.

"Disseram-me que eras odioso."

Tem dias...

Noites e Tribos

Os edifícios e as ruas permanecem no mesmo sítio. As distâncias não se alteram. Mas com o passar das noites a cada novo olhar de reconhecimento, tudo encolhe. Conhecemos desconhecidos por terceiros, ligados a quartos que são mencionados por quintos que nos conhecem. Apertamo-nos numa rede de ligações e cadeias que aumentam por toque de palavras, de conversas, de locais, de murmúrios. Fazemos parte de uma cidade e talvez seja ela que nos une, como plataforma física para os nossos elos.


Nas noites em que me sinto mais contemplativo, nas quebras das músicas, sucede ter que fazer um esforço para me situar. Tento desviar-me dos olhos que me rodeiam e perceber o sentido das minhas acções, a razão porque estou ali e não no sossego da minha casa. É fácil perdermo-nos nas acções dos outros, é fácil encetarmos modos de estar que são a continuação dos outros. Corremos o risco de sermos o eco das pessoas que estão à nossa volta, cujo eco nem sequer é original... E há algum mal nisto? Nenhum, até as noites parecerem todas iguais.


Mas existe um conforto neste reconhecimento de caras em constante crescimento. Um conforto social de sermos admitidos, de pertencermos e estarmos assegurados a uma certa tribo. Não sei qual é o meu papel nessa tribo. Tento criar um papel à minha medida e ainda não sei o que me interessa, onde me situo e como é que me devo comportar... Work in progress, I guess.

domingo, fevereiro 17, 2008

Adormecer com a chuva a bater no vidro...
"They order me to make mistakes"*

*Excerto da letra "Barely Legal" dos The Strokes.

sábado, fevereiro 16, 2008

O bom de se gostar de bandas peninsulares...













... é que há mais hipóteses de as vermos ao vivo!


Myspace da banda, aqui.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Enki Bilal no Público

"...Continuemos aquilo que sempre fomos... pessoas livres... é algo que se tornou bastante raro, a ponto de nos agarrarmos quanto mais não seja à ideia... e eu quero ser livre, até na escolha da minha morte. Tu sabes que considero que só fui útil uma vez durante a minha vida política, no início do século, quando consegui a paz israelo-palestiniana... devias ter tu dez anos e eu tinha acabado de te adoptar... Hoje essa paz está a degradar-se de novo com o obscurantismo crescente, e eu já nada posso fazer... quero deixar o mundo dos homens com leveza e elegância... 36.000 metros de altitude, já imaginaste?... Como uma pena..."*

mais à frente

"-Incomodo-a?...
-Chega em má hora... Estou prestes a perder o meu pai...
-Lamento... Gravemente doente?...
-Não, gravemente feliz."*

O Público tem vindo a publicar semanalmente obras de banda desenhada de vários autores consagrados. Esta quarta-feira foi a vez de Enki Bilal. O livro juntou duas histórias diferentes. A primeira, "A Feira dos Imortais", é o primeiro tomo da trilogia Nikopol, editada durante os anos 80 e inícios de 90. A segunda é mais recente, finais dos anos 90, chama-se "O Sono do Monstro", é o primeiro tomo de quatro que conta a história de três órfãos de Sarajevo. Ambas as histórias acontecem na Terra, num futuro próximo.

O imaginário de Bilal é indissociável dos seus desenhos belos, expressivos, em que a cor é tão importante como o traço e que no todo conseguem sozinhos transmitir ao leitor o ambiente das histórias, que são sempre de um pessimismo brutal quanto ao futuro da civilização mas que vão sendo contadas com um apelo poético irresistível... A edição é boa e barata. Para quem não conhece o autor é uma óptima iniciação.

Página oficial de Bilal aqui.

*Excertos da obra de Enki Bilal - "O Sono do Monstro".

Pássaros

Amanhece. Oiço os pios-pios-pios e os taques-taques-taques de pássaros a trautearem e a caminharem no telhado. Há dias em que me deixam irritado por não conseguir dormir, outros dias relembram-me a necessidade e o conforto de uma casa em oposição ao "lá fora" frio e agreste. Noutras manhãs são a certeza agradável de que o mundo está vivo, que acontece quer eu esteja a dormir ou não, perdido no meu cérebro humano.
Fico a ouvi-los em sossego, um ruído íntimo a dois metros de distância, com um telhado pelo meio que separa olhares, milhões de anos de divergência evolutiva e muito mais... Tenho sempre a tentação de saltar da cama, abrir a clarabóia e olhá-los de perto. Nunca o fiz, sobrepõe-se a vontade de deixar a natureza estar.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Auto-indulgência

Vá. Agora a sério. Depois da música, dos filmes, dos lugares e pessoas. Do que fiz e do que vivi. Do que me foi oferecido. Do que rejeitei. Agora a sério. A janela e a porta fecharam-se? Onde está o postigo?

Corro o sério risco de me tornar um cínico.

Tomar banho. Pôr-me a milhas.

"Inebriation leads revelation"

"Gettin down in the town that makes no sound
you say there's nothing wrong but I dont hear it"*

Tenho os ouvidos tapados. E o cérebro.


*Excerto da letra "Anti-Anti" dos Snowden.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Bom bom, é o cheiro do café acabado de moer pela manhã.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Mau mau, é chegar a casa já tarde, e ser obrigado a ver um filme no canal MGM dobrado em brasileiro enquanto janto.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Tudo isto está mais ou menos preso por um fio

"Eu também. E todos. Batam-Yam povoar-se-á de gente nova que por seu turno se interrogará na solidão da noite sobre o que a lua faz ao mar e qual o sentido do silêncio. E para eles também não haverá resposta. Tudo isto está mais ou menos preso por um fio. O sentido do silêncio é o próprio silêncio."*


*In, "O mesmo mar" de Amos Oz, pág.195, edições Asa.

"Heaven knows, it's got to be this time"*

Lembrei-me de correr. Fugir de um sítio e ir atrás de outro. Correr para fora de nós próprios à espera de um ponto de chegada que seja outro eu.

Lembrei-me da Marie Antoinette da Kirsten Dunst a correr em direcção ao seu primeiro nascer do sol dos 18 anos. Da alegria e vontade em descer as escadas, em cair na relva. Do grito "So beautiful!" dito aos primeiros raios do sol.

De devermos momentos desses a nós próprios (com direito a frases feitas repetidas até ao infinito).

"Oh, I'll break them down, no mercy shown,
Heaven knows, it's got to be this time
Avenues all lined with trees,
Picture me and then you start watching,
Watching forever."*

E depois há um outro correr, muito mais carregado (mas não menos cinematográfico). Um correr em direcção à escuridão, vezes sem conta...


*Excerto da letra "Ceremony" dos New Order.

domingo, fevereiro 10, 2008

"Don't test the moment when you break the sun"*

Se o Sol se partisse e restasse uma única janela para o futuro…


Explicação da fotografia aqui.

Este post é patrocinado pelo Astronomy Picture of the Day!


*Excerto da letra "The Bomb" dos New Young Pony Club.